sobre a terceira esposa de Henrique Sexto

by Diego Navarro ~ June 30th, 2005. Filed under: Immanence.

Sim, as obras puramente “organísticas” de Rick Wakeman são fake, são kitsch, são patéticas no seu pseudo-bachiano despido de substância, no seu envergar orgulhoso de uma imagem que não corresponde ã substância. Éo eterno destino do roque de feições clássicas. Não que o erudito impregnado de roque (como a parte menos Broadway de _Jesus Christ Superstar_) ou a mitologia roqueira feita erudito (como em Glenn Branca) não sejam possíveis, mas a absorção de uma capa estética filistino-barroca por roqueiros grandiosos como Rick Wakeman ou Yngwie Malmsteen.

Mas o que o grand-rock faz é destilar a _tensão_ presente na grandiosa música dos mestres e apresentá-la crua, pura, sem a compaixão, a profundidade e a ambição à universalidade destes. As tocatas de Bach são uma consolidação da humanidade total, onde as tocatas de Rick Wakeman são obras de tensão absoluta pela tensão absoluta, esquartejando os ouvintes puxando-lhes as extremidades do corpo.

Wakeman, Malmsteen, Johansson extraem do barroco a tensão pura como os melhores fotógrafos e _fashionistas_ do rock extraem a tensão pura do rock da música, e o fazem _pose_. Éa abstração aristotélica — abstrair é arrancar.

Éisso que faz com que eu, que entendo, sim, a música erudita, que sei cantar as vozes do “Stabat Mater” de Giovanni Pergolesi e sei reconhecer as fugas da _Kunst_ de Bach pelo número, aprecie tanto o grand-rock pretensioso de “Catherine Parr” do Rick Wakeman, “Black Star” do Yngwie Malmsteen ou “Eternity” do Stratovarius.

Um dos temas centrais do aprendizado musical da minha vida é que o fato cultural da música é _além_ do seu valor intrínseco. Uma audição benevolente de “Catherine Parr” do Rick Wakeman revelará isso aos leitores com espírito de experimentação.

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