entendendo o britpop
Wednesday, October 26th, 2005
Há quem atribua a expressão _Cool Britannia_ à Newsweek, quando esta declarou Londres a capital mais _cool_ do mundo, mas parece que aparece num [disco](http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B00005AFL2/qid=1130346519/sr=8-5/ref=sr_8_xs_ap_i5_xgl15/103-0952132-3057400?v=glance&s=music&n=507846http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B00005AFL2/qid=1130346519/sr=8-5/ref=sr_8_xs_ap_i5_xgl15/103-0952132-3057400?v=glance&s=music&n=507846)
dos anos 60, de uma banda psicodélica esquisita chamada _Bonzo Dog Band_ cujos maiores fãs eram os Beatles. Mais do que uma curiosidade histórica inútil, este fato pouco percebido ilustra a origem da estética de onde brotam Oasis, Supergrass, Blur e assim por diante em uma característica mais “paramétrica” da dinâmica social da cultura pop no Reino Unido.
Ora, é consenso trivial que a Inglaterra, talvez acima ou talvez imediatamente depois dos Estados Unidos, é um dos principais centros emanadores de cultura pop. É bem conhecida, também, a curiosa gênese deste processo, com um movimento caracteristicamente inglês de importar o rock’n roll e o blues dos negros americanos (e quando os Stones ouvem discos americanos, ouvem Muddy Waters e Chuck Berry, não Buddy Holly e Elvis Presley), para em seguida explodir e invadir os Estados Unidos na _british invasion_ encabeçada pelos Beatles.
Existe um ensaio a ser feito aqui sobre como o rock inglês é a matriz do rock branco americano subseqüente, sendo abandonado o modelo Elvis/Holly — e pouquíssimo utilizado o modelo Chuck Berry/Jimi Hendrix — mas a dinâmica social da cultura pop americana é conhecida. Em que pesem pontos fora da curva (e Hendrix brilha, sobrando nas décadas subseqüentes um Funkadelic, um Sly and the Family Stone, um Living Colour e um Lenny Kravitz), a música negra se recombina sucessivas vezes ao _gospel_, desenvolvendo gradualmente o som que reconhecemos hoje, e que também teve muito sucesso internacional (sendo às vezes até imitado pelos ingleses ;-)).
Isto é reflexo de uma dinâmica cultura e de uma dinâmica social mais ampla; faz sentido, sem racismo, falar de cultura negra e branca nos EUA porque ambas se mantém separadas pelas suas próprias dinâmicas internas, sem supressão ou imposição de uma sore a outra. Mais ainda, os negros americanos — em termos menos carregados, os consumidores de cultura _black_ — ascenderam em padrão de vida e se tornaram um mercado consumidor significativo.