A vitória de Alan García no Peru consolida a América Latina como um laboratório natural de experiências de desenvolvimento. De um lado, países — como Chile, Peru e Colômbia — que persistem em políticas de modernização, reforma do Estado e reestruturação da capacidade de empreender do setor privado, e de outro, países — como Bolívia, Equador e Venezuela — que, sob o fascínio de líderes populistas, apostam todas suas fichas em um projeto neofisiocrático de desenvolvimento mediado por Estados fortes e ancorados na sua dotação de recursos energéticos.
É triste que esse experimento natural tenha que acontecer à custa da pobreza, do atraso e da existência de uma geração de bolivianos, equatorianos e venezuelanos. Mas parece que a civilização moderna ainda não deposita confiança suficiente na razão teórica, no projeto socrático, precisando de caríssimas experiências para aprender alguma coisa.
Ao menos um experimento natural nítido se desenha agora. Eu deposito a minha mais profunda e existencial esperança em que pelo menos sirva pra que a humanidade aprenda alguma coisa sobre desenvolvimento, prosperidade e responsabilidade.
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