Archive for September, 2006

A História, disse Stephen, é um pesadelo do qual estou tentando acordar (ii)

Thursday, September 28th, 2006

Em A Estrutura das Revoluções Científicas, Tommy Kuhn afirma que os cientistas reescrevem a história de seu campo para transformar tudo num fluxo contínuo e acumulativo.

A graduação em economia apresenta o modelo de Bertrand como um modelo de competição em preço, onde o modelo de Cournot é um modelo de competição em quantidade.

Essa distinção, acrescida da intuição marshalliana dos preços se ajustando mais rápido que as quantidades, dá a idéia de que o modelo de Cournot descreve equilíbrios não-cooperativos de longo prazo, onde o modelo de Bertrand descreve guerras de preço no curto prazo. Não é que cheguem a dizer isso formalmente, é só a impressão que fica, dado um universo de conhecimento acumulativo.

O fato é que não existe um “modelo de Bertrand”.

Pontos de vista são relativos

Monday, September 25th, 2006

Um texto da Wikipedia descrevendo uma função do óleo de soja.

Ele menciona matter-of-factly que óleo de soja cheira a zongzi.

Aparentemente, a Wikipedia acha que é mais provável que você conheça zongzi do que óleo de soja.

Ao invés de um manifesto, uma ilustração.

Thursday, September 21st, 2006

Pessoas que conseguem pensar de forma linear enxergam o mundo da seguinte forma:

As séries (a1),.. e (b1,…) são passos nítidos que elas devem tomar de modo a atingir algum dos objetivos (o central, que é o pragmático, o objetivo OΩ, que é o pretensioso e o OΨ, que é eu-só-quero-ser-feliz.

De fato, pessoas pragmáticas o suficiente conseguem pensar de forma ainda mais clara:

A forma como o mundo se mapeia no meu cérebro, infelizmente, não é tão prática:

Não há justiça neste mundo para nós que pensamos de modo não-linear.

Mágica! 2

Wednesday, September 20th, 2006

No [primeiro texto](http://www.navarro.mus.br/diego/ blog blog journal /2005/10/26/magica) da série Mágica! exibimos um programa que desencripta cifras Caesar sem saber qual era o n de rotação inicial. Continuando com o nosso programa de obter resultados de interesse a partir de informação obscenamente pequena, queremos resolver um problema, marginalmente relacionado a [este tutorial](http://www.navarro.mus.br/diego/ blog blog journal /2005/07/21/tutorial-pegando-um-onibus/).

Um homem sai do trabalho todos os dias exatamente às 6 horas — por exemplo, na planta industrial que ainda funciona na r. Nelson Mandela, perto do Botafogo Praia Shopping. Nós passamos pela rua todos os dias às 6 e 15, e observamos se o homem ainda está esperando o ônibus. Pergunta-se: quantos ônibus, em média, passam por hora?

Seus interesses: regulamentação profissional

Thursday, September 14th, 2006

Tem entrado em pauta recentemente, talvez impulsionada pelo contexto político corrente — no qual têm grande espaço questionamentos ao consenso liberal da década de 90 — uma série de propostas de regulamentação de categorias profissionais até hoje basicamente desreguladas.

O objetivo deste artigo (uma espécie de consultoria gratuita, não um trabalho de divulgação científica) é fornecer ao trabalhador integrante de uma dessas categorias profissionais uma breve análise econômica dos seus interesses quanto à instauração de uma regulação da sua atividade profissional.

Tutorial: dois pesos, duas medidas

Wednesday, September 13th, 2006

Cipitá é uma cidade do interior, dessas de novela. Cipitá fica a oeste de tudo; não há lei a oeste de Trilopinha, não há Deus a oeste de Rabidinga, e ao redor de Cipitá não existe nem água encanada.

A autoridade máxima de Cipitá é um juiz preconceituoso. Em Cipitá, ou você é cipitense, ou é um forasteiro.


data Pessoa a b = Forasteiro a | Cipitense b

O juiz preconceituoso de Cipitá tem critérios completamente diferentes para Forsteiros e Cipitenses; para um dado veredito a pronunciar seu raciocínio é o seguinte:


veredito sentença_ruim sentença_boa (Forasteiro a) = sentença_ruim a
veredito sentença_ruim sentença_boa (Cipitense a) = sentença_boa a

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o lado mais fraco da corda

Thursday, September 7th, 2006

Uma reportagem do noticiário nacional do SBT comemora o recente aumento da formalidade no mercado de trabalho, atribuído à mais intensa fiscalização do último período. Mostram-se imagens de trabalhadores que estavam em condições precárias agora brandindo, felizes, o livretinho azul da Carteira de Trabalho, e os chefes das burocracias associadas à fiscalização afirmam categoricamente que o registro é a melhor garantia do trabalhador.

Os números, em seguida, contam uma história menos feliz. O aumento da fiscalização é associada à destruição de empregos de salário médio e o aumento de empregos de baixo salário; mais ainda, para uma dada ocupação, os salários no setor informal são muito mais altos. A reportagem conclui com o caveat de José Márcio Camargo (com quem fiz o curso de Comportamento Sindical) que relembra que a formalização é apenas um custo adicional para o patrão e é natural que os salários do setor formal sejam mais baixos.

O problema é pior. Todo aluno de introdução à microeconomia sabe que a maior parte do peso de um imposto é carregada pelo agente mais inelástico. Ora, a informalidade reina nas indústrias onde o empresário tem opções tecnológicas pra cortar mão-de-obra — coincidentemente, aquelas em que o trabalho é menos qualificado e o trabalhador tem menos oportunidades alternativas de emprego.

Quem leva o cano e banca o Estado paternalista (que não deixa que os trabalhadores façam sua própria poupança, forçando-os a contribuir para o FGTS) é, pra variar, o lado mais fraco da corda.

Tutorial: gravando de uma rádio em MP3

Wednesday, September 6th, 2006

Então você está ouvindo uma estação de rádio MP3, e você decide que quer gravar um CD dela para uma festa em um lugar onde não haverá internet. O que você faz?

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