Uma reportagem do noticiário nacional do SBT comemora o recente aumento da formalidade no mercado de trabalho, atribuído à mais intensa fiscalização do último período. Mostram-se imagens de trabalhadores que estavam em condições precárias agora brandindo, felizes, o livretinho azul da Carteira de Trabalho, e os chefes das burocracias associadas à fiscalização afirmam categoricamente que o registro é a melhor garantia do trabalhador.
Os números, em seguida, contam uma história menos feliz. O aumento da fiscalização é associada à destruição de empregos de salário médio e o aumento de empregos de baixo salário; mais ainda, para uma dada ocupação, os salários no setor informal são muito mais altos. A reportagem conclui com o _caveat_ de José Márcio Camargo (com quem fiz o curso de Comportamento Sindical) que relembra que a formalização é apenas um custo adicional para o patrão e é natural que os salários do setor formal sejam mais baixos.
O problema é pior. Todo aluno de introdução à microeconomia sabe que a maior parte do peso de um imposto é carregada pelo agente mais inelástico. Ora, a informalidade reina nas indústrias onde o empresário tem opções tecnológicas pra cortar mão-de-obra — coincidentemente, aquelas em que o trabalho é menos qualificado e o trabalhador tem menos oportunidades alternativas de emprego.
Quem leva o cano e banca o Estado paternalista (que não deixa que os trabalhadores façam sua própria poupança, forçando-os a contribuir para o FGTS) é, pra variar, o lado mais fraco da corda.
Discussion
No comments for “o lado mais fraco da corda”
Post a comment
You must be logged in to post a comment.