Archive for October, 2006

A estranha economia da comunicação acadêmica

Tuesday, October 31st, 2006

Há, em algum lugar, uma grande oportunidade de negócio em armazenar artigos acadêmicos. Alguns sites querem cobrar US$30,00 pelo acesso a um único artigo — dinheiro que o autor e os financiadores da pesquisa nunca verão.

A esquizofrênica situação dos órgãos de comunicação acadêmica só se perpetua porque a publicação em _peer-reviewed blog journal _ assumiu o papel colateral de medida de produtividade acadêmica. Parece-me que as mazelas da comunicação científica se resolveriam automagicamente no momento em que ela fosse desligada desse papel de métrica. Assim sendo, os esforços que vêm sendo despendidos em debater uma reforma do sistema de publicação científica deveriam ser redirigidos à construção conceitual da reforma das métricas de produtividade.

Atenção

Tuesday, October 31st, 2006

A vigilância da sociedade civil sobre a investigação dos recentes escândalos de corrupção não deve esfriar porque Lula venceu. Sem golpismos nem terceiros turnos, temos a obrigação de manter a chama da discussão viva:

  • De onde veio o dinheiro do dossiê?
  • Como a Gamecorp de Lulinha foi adquirida depois de alguns meses de vida pela Telemar por um valor milionário?
  • O que a PF tem a dizer hoje em dia sobre os 3 milhões de dólares cubanos que financiaram a campanha de Lula?
  • Por que as investigações sobre a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, estão paralisadas? O que houve com a investigação sobre a morte do legista que sustentava a tese de crime político?
  • A venda irregular de concessões de extração madereira no norte para financiar a campanha de políticos do PT já parou?
  • Qual é o atual status dos contratos do governo com o publicitário Duda Mendonça?
  • Como vão as investigações pelos crimes cometidos por Palocci em Ribeirão Preto?

Essas são apenas as dúvidas que surgem à minha cabeça de cara, e que uma pesquisa na imprensa dos últimos 12 meses não dirimem. É preciso continuar cobrando o esclarecimento dos escândalos de 2005 e 2006!

Enquete impromptu

Saturday, October 28th, 2006

Pede-se a quem estiver lendo este post um chute quantitativo exato e pontual de quanto será a seguinte quantidade:

[Percentual dos votos válidos para Lula] - [Percentual dos votos válidos para Alckmin]

Respostas nos comentários. Estes se encerram amanhã quando da divulgação da pesquisa boca-de-urna. Ganhará cuja aproximação para o diferencial mais se aproximar daquela do resultado real da eleição. O vencedor ganhará um link neste post e uma casquinha mista do McDonald’s no Rio Sul, em horário conveniente para o blog blog journal ue diárioiro sediando a enquete.

Por uma simples questão de seriedade

Wednesday, October 25th, 2006

Por uma simples questão de seriedade, as leis de discurso racial no Brasil precisam ser melhor regulamentadas ou desaparecer.

O Globo de ontem noticiava a prisão de dois adolescentes que panfletavam para um grupo neonazista de São Paulo. Basta ver o site deles para verificar que são asquerosos, violentos e imaturos. O problema está na forma como a reação da sociedade (não-racista) mais ampla se coloca.

A notícia (somente acessível online para assinantes) mencionava apenas que o foco dos panfletos era um “grupo de orgulho branco”. Em seguida, citava-se sem questionamento o depoimento do presidente da Educafro, um … “grupo de orgulho negro” tachando o grupo racialista oposto de “antidemocrático”.

Se o país vai ter hate speech laws à canadense, precisa qualificar no que consiste o discurso de ódio. Nos termos atuais, não só o racismo está legitimado em uma direção — porque é validado o discurso de que os “brancos” oprimiram os “negros” e por isso devem pagar — como temos aberto um vácuo jurídico se surgir um grupo de orgulho esquimó atacando tailandeses.

Claro, a inconsistência jurídica mais profunda está instalada na medida em que mesmo uma lei mais completa de discurso racial legitima juridicamente a existência de “raças” distintas, onde o texto da Lei Afonso Arinos proíbe justamente a “discriminação” (ou seja, a diferenciação) racial no Brasil.

Em tempo: com a câmera do meu celular, eu sou branco; com uma câmera digital melhor, eu sou moreno, descendente em igual proporção de bolivianos e espanhóis. É chato (e um pouco triste) que esses disclaimers venham se tornando obrigatórios, até porque a minha raça varia de acordo com a câmera utilizada.

O Pró-Uni, a mãe chorando e uma piada infame do Cláudio Téllez

Tuesday, October 24th, 2006

Uma das vinhetas mais repetidas da propaganda eleitoral de Lula envolve uma mãe chorando de emoção porque Lula (e quem fez isso antes? quem? quem? quem?) concedeu uma bolsa para que o seu filho estudasse na faculdade. Lula tinha feito do seu filho um universitário. Isso me lembra uma velha fábula que eu ouvi u ma bela manhã, há dois invernos e um milhão de anos atrás,

Cláudio Téllez estava na nossa aula de macro II como intruso, e o prof. Marcio García tinha usado o termo “ad hoc” em algum conceito. Uma menina menos instruída inquiriu ao imponente terno de Cláudio sobre o significado dessa expressão.

No seu típico estilo, ele contou a fábula de um rei que tinha decretado que todas as ovelhas eram brancas. O reino vivia em paz, até que aparece uma ovelha negra. Uma rápida emenda à lei declarou que, se não era branco, não era ovelha, e todos viveram felizes para sempre.

Eles fariam melhor enviando diplomas de novas universidades públicas pelo correio (Universidade Postal do Anhangabaú, etc. etc.), salvando a dignidade residual de algumas instituições privadas que se dão ao respeito e economizando muito dinheiro.

Algumas dicas gastronômicas para mestrandos famélicos

Monday, October 23rd, 2006

Alguns amigos fizeram o exame ANPEC esta semana e estão em caminho de se tornar mestrandos famélicos, como eu. Motivado por isso, decidi compilar esta pequena listinha de dicas de como manter algum nível mais ou menos confortável de homeostase fisiológica no caso de que esses colegas venham parar aqui na UFRJ.

Sim, eu fiz o exame ANPEC de novo

Thursday, October 19th, 2006

A idéia era ser discreto, e tranqüilizei-me quanto a isso quando soube que o exame seria na UFF, mas quem aplicava a prova na minha sala era a secretária do David Kupfer, diretor da pós da UFRJ. Ela só faltou berrar “traição!”

O fato é que eu estive muito frustrado com o meu mestrado por volta de junho, quando saiu a oferta de disciplinas eletivas, mas acabei acomodando-me em um núcleo de disciplinas — contratos e econometria — que provavelmente continuará. É difiícil que saia daqui — ao menos que não sejam oferecidos os cursos de métodos empíricos em contratos, microeconometria e macroeconometria.

Apesar do cansaço — e, tudo bem, eu já fiz provas na UFRJ que duravam seis horas ininterruptas, mas dois dias seguidos já é demais — foi mais divertido do que teriam sido os dois dias de aula que eu perdi na UFRJ, mesmo tendo perdido aulas boas.

É uma experiência que vale a pena. Se não fosse tão caro, talvez fizesse todos os anos. Fazer o exame ANPEC é um memento mori: expõe a fragilidade da nossa memória, do nosso aprendizado, e em última análise, da nossa profissão.

Um par de gráficos sobre performance econômica nos últimos dois governos

Tuesday, October 10th, 2006

Fique sempre atualizado

Wednesday, October 4th, 2006

Já discutimos RSS em extensão www.rssfwd.com

  • Digite o endereço www.navarro.mus.br/diego/ blog blog journal /
  • Digite o seu email
  • Para os extremamente preguiçosos, providenciamos com exclusividade neste post uma caixinha onde você pode simplesmente digitar o seu email.

    Email:

    As urnas eletrônicas são máquinas Diebold. Procure saber mais sobre isso. Seu voto pode estar sendo roubado.

    Tuesday, October 3rd, 2006

    Email que escrevi esta manhã, e estou circulando. Não tenho tempo de reformatá-lo, então vai assim mesmo:

    Parece que as máquinas de votação no Brasil são fabricadas pela Diebold, a empresa que se tornou notória e polêmica nos Estados Unidos por não permitir nenhum tipo de auditoria independente do funcionamento da máquina:

    http://politics.slashdot.org/politics/06/10/02/0351258.shtml

    Eu já tinha visto algumas críticas à votação eletrônica, como este manifesto de professores de engenharia e matemática da USP e Unicamp:

    http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/

    No entanto, eu nunca tinha sonhado que era uma máquina Diebold.

    Pra vocês terem uma idéia, não precisa de nenhum tipo de senha pra trocar o programa da máquina — basta ter acesso físico a ela.

    http://politics.slashdot.org/politics/06/10/02/0351258.shtml http://itpolicy.princeton.edu/voting/

    “Armed with a little basic knowledge of Diebold voting systems and a standard component available at any computer store, someone with a minute or two of access to a Diebold touch screen could load virtually any software into the machine and disable it, redistribute votes or alter its performance in myriad ways.” http://politics.slashdot.org/article.pl?sid=06/05/12/1228203

    Parece que algumas coisas foram consertadas no Brasil: “Given the choice of picking a system where wholesale rigging is easy, versus one where it’s impossible, why has Brazil gone with the system where it’s easy? Brazil did build in some safeguards during its transition to electronic voting — protections that still don’t exist in the US. While the code behind Microsoft’s operating system remains secret, independent auditors must approve of the overlying voting software before it is inserted into the nation’s 430,000 machines. The software remains open to inspections for three months before election day. And hours before the polls open, randomly chosen voting machines are tested ‘to verify that the software inside does what it is supposed to do.” http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/09/29/AR2006092900725.html

    No entanto, isso é só a auditoria do código. Isso garante que programadores maliciosos da Diebold não podem decidir a eleição (o que acontece nos EUA). No entanto,….

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