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Notas consumistas

Ao preço de R$1,50, o _Jornal do Brasil_ não consegue realmente competir pelo espaço d’_O Globo_, que apesar de ser 30% mais caro desfruta de uma _mindshare_ muito mais valiosa, além de ser bem mais volumoso — ao menos na aparência, na hora de escolher um jornal na banca.

Quem acertou no alvo do mercado de leitura descartável para passar o tempo foi _Maurício de Souza_, com suas promoções de 3 revistas da _Turma da Mônica_ por R$2,99. Freqüentemente vejo-me comprando um pacotinho desses para esperar o ônibus do condomínio, em vez de pagar os R$2,30 do ônibus de rua.

A framework mais simplista de elasticidade da demanda não consegue capturar direito o efeito destes nichos de mercado porque abstrai demais o mecanismo de escolha entre bens substitutos que gera as curvas de demanda. No seu preço habitual de entre 5 e 6 reais, as revistas em quadrinhos da família Maurício de Souza competem com revistas informativas e livros de bolso, leitura circunstancial que no entanto pretende-se guardar depois.

No preço da promoção, a competição de fato é com os jornais e outros veículos de entretenimento passageiro — e mesmo com o eventual lanche consumido como passatempo. Ao perceber esta inflexão na sua curva de demanda, a editora Maurício de Souza acertou em cheio.

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