Crescimento
Thursday, January 25th, 2007Não há política econômica óptima porque nem todas as políticas são criadas iguais; a intervenção estatal na economia é primeiro um efeito colateral da monetarização das economias nacionais a partir do crescimento do comércio na idade moderna, segundo, da emergência do fenômeno colonial que tem como prioridade submeter o projeto de uma nação ao de outra, terceiro da percepção coletiva de abusos de robber barons quando os rendimentos crescentes de escala da segunda revolução industrial levam a uma concentração industrial desconfortável e, finalmente, da depressão da década de 1930. Em cada um destes momentos,a política econômica tem significados e objetivos diferentes. Apenas dos anos 1980 pra cá, e apenas no Brasil, a política econômica já teve alguns papéis muito diferentes: estimular a produção de bens intensivos em capital, julgados “bons”, administrar a solvência internacional do país, e assim por diante. Um destes modelos de política econômica teve particular sucesso em seus objetivos, o da “estabilização”. Se não resolve muitos problemas, a “estabilização” é ao menos uma questão de bom gosto: em um ambiente mais sadio, a vida econômica pode se processar melhor. Nesse contexto, o anúncio do recente pacote de medidas de política industrial tem um valor simbólico profundo: sai a estabilização e entra esse tal de “crescimento”, vendido pela cultura como uma panacéia para o desconforto econômico. O problema é o seguinte: o crescimento é um mero epifenômeno contábil.


