Archive for March, 2007

Malthus, ou: tudo o que eu precisava saber sobre economia eu aprendi vendo Senna x Mansell com o meu pai

Saturday, March 31st, 2007

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O que raios ganha uma corrida de Fórmula-1?

1. Losing my religion

A UFRJ está para a heterodoxia como a PUC-Rio está para a ortodoxia; onde esta é um subproduto do pensamento da FGV, aquela é um subproduto do pensamento da Unicamp. Gradualmente, o professorado da PUC deixou de ser composto de ex-fegevitas e passou a contar com um número significativo de jovens retornando de Berkeley. Analogamente, o professorado da UFRJ gradualmente deixou de ser composto de ex-unicâmpios e passou a contar com jovens vindos de Cambridge. É assim que se formam as especificidades: quando quer um ortodoxo para debater em um seminário, a UFRJ convida alguém da FGV, e quando quer literatura heterodoxa para enriquecer-se teoricamente, a PUC circula dissertações da UNICAMP. É assim que todo o diálogo entre a PUC e a UFRJ consiste de pequenas ironias.

Eu fiz a minha graduação na PUC do Rio — basicamente, eles me ofereceram bolsa, a FGV não, e eu estava cansado da universidade pública com suas greves e idiotices ideológicas. Como todo filhote da PUC que por alguma razão decide fazer mestrado, as minhas opções eram a própria PUC e a FGV. Mas entre estar deslumbrado e complicado em um relacionamento absurdo, estar absolutamente de saco cheio com a economia e deslumbrado e complicado numa relação (muito mais frutífera que a outra) com a ciência da computação e uma fé inexplicável nos meus poderes mágicos, fui fazer o exame Anpec basicamente despreparado, e os meus poderes mágicos falharam: não obtive resultados fortes o suficiente para que fosse parar nas muito mais disputadas escolas ortodoxas. Em suma, for the record, fui parar no mestrado da UFRJ por pura incompetência.

Conto esta história no interesse do full disclaimer — porque pesa entre os que conhecem essa história a dúvida sobre a minha imparcialidade em discutir os méritos relativos das duas escolas e freqüentemente pessoas que deveriam confiar em mim acusam-me de minimizar o aspecto involuntário da minha estadia numa escola que na weltanschauung puquiana é francamente de segunda linha. Claro, eu percebo com clareza agora que as escolas de primeira linha são a FGV e a Unicamp, por serem fundamentalmente da linha de pensamento que representam — e não por circunstâncias políticas (o vínculo PUC-PSDB) e acadêmicas (um certo êxodo da Unicamp para a UFRJ e uma especialização em determinadas escolas heterodoxas de pouca expressividade elsewhere em parte como estratégia de diferenciação e em parte para absorver bons economistas formados em Cambridge).

O fato é que tive nos meus seis anos de economia um contato íntimo com os extremos teóricos do pensamento econômico contemporâneo no Brasil: fui aluno de Dionísio Dias Carneiro e de Mário Luiz Possas. Mais ainda, tomei contato com duas visões bastante distintas sobre a história do pensamento econômico — e apesar de ter basicamente dormido durante os cursos que explicitaram a visão ideológica hard de cada escola sobre o assunto, pude inferí-las e reconstruí-las heuristicamente pelo pensamento vivo de seus economistas modernos.

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p>O que eu estou oferecendo aqui é, em alguns parágrafos, um resumo de tudo o que eu aprendi de economia na vida — ok, omitindo os intermináveis cursos técnicos de contabilidade, econometria, etc., mas provavelmente, tudo o que você precisa saber para entender que raios é esse debate sobre como se ganha uma corrida de fórmula 1. O Gustavo Franco continua mais certo que o Carlos Lessa, mas o que cada um deles diz em público é uma meia-verdade. A idéia aqui é explicar o que você precisa para costurar as duas metades.

Interfaces de programação para não-programadores

Thursday, March 29th, 2007

A linguagenzinha de programação do Stata — que o professor deste período tem insistido para que usemos no lugar do R, que todo mundo já tinha aprendido a operar mais ou menos — é orientada à manipulação de um contexto implícito. Isso é estranho, e lembra-me o velho dBase. O meu maior problema com o Stata é que não há uma forma óbvia de armazenar regressões e outros resultados computacionalmente intensivos em objetos, e muitos comandos — digamos, um teste para heterocedasticidade, ou gráficos de diversos tipos — não admitem parâmetros, agindo implicitamente sobre a última regressão rodada.

É bem verdade que a aparente popularidade do Stata pode se dever simplesmente ao grande número de procedimentos estatísticos que vem out-of-the-box e são fáceis de encontrar pela interface de menus — que simplesmente emite os comandos da linguagem, gerando um ciclo virtuoso de aprendizado. Mas algo me faz pensar que entre o dBase e o Stata, há uma certa intuitividade no conceito de contexto implícito que aproxima ambos de uma tal de linguagem natural. Claro, como bom formalista que sou, eu me oponho a ad hoc-ismos sintáticos quase que em geral, e em particular por motivos tão fúteis. O contexto implícito é menos poderoso e mais prático: por exemplo, abre-se uma base e depois a filtramos usando keep if e drop if no lugar de gerar sub-bases filtradas por um índice (novabase<-base[predicado(variavel)], como se faz no R) aproxima-se mais da idéia intuitiva — combatida por quem quer ver a programação aproximar-se da lógica — de um programa como algo que “faz” alguma coisa.

Textura

Monday, March 26th, 2007

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The rock in my hand tells me That there is a world out here in this swirl The rock in my hand tells me That things will not disappear The rock in my hand tells me That there is a world out here in this swirl The rock in my hand tells me That things will not disappear The rock in my hand sings an avalanche song To the rocks in the ground all around It sings fearful power and boldest delight And of death and of sand and of love The rock in my hand tells me That there is a world out here in this swirl The rock in my hand tells me That things will not disappear The rock in my hand tells me That there is a world out here in this swirl The rock in my hand tells me That the world has a place I belong

(Imagem digital (feita cuidadosamente com o pincel no Photoshop, sem filtros) do autor; poema da diarista anônima do Ballastexistenz)

Aceleração

Monday, March 26th, 2007

A aceleração é um fenômeno fundamental da natureza, e no entanto é inteiramente contra-intuitiva. Um toque em um objeto produz aceleração, e no entanto foi necessário que faça-se Newton para que se perceba que o movimento só se esgota devido à força oposta do atrito. Mas imagina o homem — mesmo aquele habituado à descrição analítica (exponencial) da aceleração — o espaço sem atrito e imagina um movimento linear ao seu toque — inesgotável mas constante. É por isso que a lei de Moore surpreende sempre e por isso que é tão difícil planejar para ela. É por isso que pequenas coleções de dados cotidianos como esta surpreendem:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=GIqk4agzKPE]

Ora, para alguns, a aceleração não pode dar em outra coisa que não uma singularidade tecnológica. Para outros, há uma não-ergodicidade fundamental à vida — sempre intermediada pela [micro]política — que determina a produção efetiva das possibilidades acelerativas inerentes ao progresso técnico.

Pessoalmente, eu discordo do lado demand-sider desta segunda proposta: a aceleração tem se mostrado forte o suficiente para sobrepôr-se a todas as considerações mundanas — e é assim que um YouTube explode apesar da concentração prévia da indústria de mídia, que ainda não consegue acreditar que perdeu o osso e inclusive dos { continues here. }
{ 204 words, estimated 49 secs reading time)}

Pela manhã

Thursday, March 15th, 2007

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