Archive for August, 2007

Entropia informacional e um índice Twitter de reputação

Tuesday, August 28th, 2007

Sejam $latex s_1 \cdots s_n$ os $latex n$ seguidores de uma pessoa no Twitter.

Agora, para cada uma desses seguidores, denote $latex m_i$ o número de pessoas que essa pessoa segue. O índice de reputação é definido como

$latex R = \sum_{i=1}^n \frac{\log_2 m_i}{m_i}$

Uma leitura cuidadosa da explicação do conceito de entropia informacional na Wikipedia justifica este índice.

O problema dos rankings é que não diferenciam entre ser assinado por grandes assinantes e ser assinado como um dos poucos feeds importantes. Quem é que rodava aquele bot-fazedor-de-rankings mesmo?

Explicando o Twitter

Wednesday, August 22nd, 2007

Sumário executivo: o Twitter, como a vida, é o que você faz dele.

Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer, tongue firmly in cheek que comecei com o Twitter semanas antes dessa invasão brasileira que começou nos últimos quatro dias. A minha motivação inicial tem a ver com (a) o estranho senso literário que o formato blog journal sempre teve pra mim — o que me faz ficar horas trabalhando em ensaios gigantes sobre questões profundas e até desconstruções econométricas de comentários jornalísticos e (b) com a quantidade de idéias intrusivas que brotam na minha cabeça — idéias que levariam dias para virar posts e que eu acabo comunicando aos seres mais próximos, nem sempre interessados na minha próxima reflexão sobre merging bayesiano de ontologias. Assim sendo, quando comecei a trabalhar o dia inteiro em frente ao computador — diminuindo muito o tempo para o blog journal e para MSN, eu comecei a usar o Twitter como o meu brain dump. As atualizações aparecem ali à direita.

A proposta original do Twitter era diferente. A pergunta que domina a interface até agora é “What are you doing?”. A idéia era que você comunica a quem quiser (podem ser só seus amigos aprovados ou a internet inteira) o que você está fazendo. Uma coisa meio Manfred Macx, prevista há uns cinco anos no romance Accelerando do Charlie Stross. Claro, as pessoas tomaram e fizeram as coisas mais diversas — há quem poste citações do Steven Wright, pequenos feeds de notícias, etc. Existe até um clima de chat. E a administração do Twitter não desestimula nenhum uso dessa caixinha de palavras.

Explicado o que eu faço com o meu Twitter e o que era a proposta original, largamente desvirtuada por um batalhão de usuários americanos que invadiram o serviço há quase um ano, é mais fácil explicar algumas diferenças entre o Twitter e coisas similares que existem por aí.

Saturday, August 11th, 2007

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=LYs_GCy9PRk]

O vídeo é fantástico, não só pelo extremo a que a inusitada idéia de levar jogos a desenhos animados chegou (todos conhecem o desenho do Mário, uns poucos os do Pac-Man) mas porque resume em poucos segundos a estética específica dos desenhos animados dos anos 1980.

I’m a man, I’m ahead, I’m the first mammal to wear pants…

Thursday, August 9th, 2007

Até muito recentemente, eu era um econometrista amador que se deleitava em inferências sutis obtidas acidentalmente a partir de dados descolados rapidamente de uma tabela qualquer — passatempo de outsider no buraco em que minha carreira acadêmica descendente tinha me jogado.

Agora que eu estou trabalhando numa instituição de consultoria/pesquisa bastante grande, o jogo é outo — eu tenho objetivos concretos especificados de antemão e prazos razoavelmente fixos — e logo modelos que deve ser bem melhor especificados.

Por outro lado, tenho um estagiário para obter os dados e transformá-los para o formato que melhor me convier. Como todo estagiário, ele comete erros, às vezes graves; quer dizer, eu já fui estagiário e errava muito ao digitar tabelas impressas de livros antigos, coisa que o meu estagiário ainda não teve de fazer mas deverá fazer a partir de hoje.

Eu devo dizer, às vezes me invade uma dúvida existencial quando percebo que estou estimando 400 parâmetros a partir de 700 observações. Basta que um estagiário no IPEA ou na FIPE ou na FIRJAN ou na FIESP tenha errado para que o trabalho de dezenas de econometristas teóricos durante 30 anos de desenvolvimento metodológico não sirvam pra nada.

Eu já o vejo, um estagiário da FIESP com sotaque irritante e cabelinho de emo querendo “sair mais cedo do estágio, mano.” — com sotaque. E digitando tudo errado.

A econometria é um resumo da condição humana, meus caros.

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