Archive for January, 2008

Esquete

Tuesday, January 29th, 2008

Aconteceu de verdade. Acaba de acontecer.

Depois de muitos dias de paz e alguns de caçar dados e refletir sobre eles — coisa que eu faço bem e numa profundidade maior que os meus pares — chegou a hora de escrever um texto curto — e eu tenho enfrentado dificuldades para escrever, dado que eu resolvi tomar um pouco de topiramato pra conseguir me socializar pelo menos um pouco — sobre esse furacão que o mundo está enfrentando. Depois de não conseguir me concentrar por meia hora, me vem a loucura — eu já estou bastante manic, dormindo quatro horas por noite, me enfiando em situações sociais inesperadas, etc. — e pego o que sobrou da bupropiona. Para não arriscar, eu corto a pílula de 150mg com os dentes e engulo a metade.

Não passam dois minutos, e passa um colega de trabalho. Não o meu colega a que sempre me refiro, que tem amigos psiquiatras, tomou paroxetina e segura a minha onda porque sempre dividimos trabalho; um homem um pouco mais velho, muito simpático, amigo do meu ex-orientador. Figuraça. Todo mundo gosta dele, e eu também. Ele se aproxima da minha mesa, olha para o meu copo cheio de café, e alude a um estudo que eu, ele e o meu colega que sempre salva o meu pescoço discutimos outro dia.

“Isso é pior que adoçante”, diz ele.

O tal estudo era uma análise longitudinal gigantesca com mais de 100 mil participantes que mostrou estatisticamente que aspartame não é cancerígeno. Ele não engoliu muito bem a história, por razões estatísticas — confounding variables, etc. etc.

“Er, vamos lá. Discussão médica sobre os efeitos do café”, digo eu.

“Não, eu só estou dizendo que isso é pior que um copo cheio de adoçante”

“Ahm, o café tem vários benefícios. A começar por..”

“Isso a esta hora da manhã é um estimulante.”

O íon que matou dr. Freud, parte 2

Friday, January 25th, 2008

[Esta é a terceira parte de uma série que começa nas partes zero e um]

E passadas muitas primaveras, morre o lítio.

O lítio é pouco usado como medicação de primeira ordem hoje em dia, a começar porque é tóxico, e requer monitoramento freqüente através de exames de sangue. Mais ainda, anticonvulsivantes tornaram-se a estratégia primária de tratamento em vista da pilha crescente de evidência em favor de uma interpretação eletroconvulsiva da doença maníaco-depressiva, onde o mecanismo de funcionamento do lítio era uma incógnita até a semana passada (e falo literalmente — os primeiros resultados empiricamente verificáveis sobre a razão pela qual o lítio funciona saíram semana passada). Claro, ainda há muita gente sendo tratada com lítio por aí, em parte porque nenhuma outra combinação tradicional de "estabilizadores de humor" funcionou, e em parte porque ainda há psiquiatras que baseiam sua influência e taxa de sucesso na capacidade que têm de intimidar o paciente a tomar esse terrível psicofármaco de efeitos colaterais bizarros de modo consistente — obtendo, claro, resultados consistentes na remissão dos sintomas na maior parte dos casos.

Mas eu insisto no lítio há três entradas desta série porque o lítio realizou uma dissecação farmacológica de um conceito psicológico apriorístico: com base em padrões de comportamento observados e teorias psicodinâmicas derivadas, a práxis terapêutica (e vamos lembrar que não havia na Europa e nos EUA a tensão que há no Brasil entre a "psicologia" e a "psiquiatria", absorvendo esta segunda todo o espectro da prática terapêutica, da psicanálise à lobotomia) estabelecida dividia as causas subjacentes às queixas apresentadas pelos pacientes em neurose e psicose. Ora, na medida em que o lítio funciona com apenas parte dos pacientes "psicóticos", confirmando a noção kraepeliniana de que havia uma psicose maníaco-depressiva distinta da dementia praecox — da esquizofrenia, um outro saco de gatos ainda mais diverso no qual não me atrevo a mexer porque não sou psiquiatra nem esquizofrênico.

Ritmo, energia e humor

Friday, January 25th, 2008

Eu vou repetir mais uma vez: mudanças súbitas de humor não são doença bipolar! E vou citar o meu próprio texto integralmente, porque sim.

Esse é um dos mitos mais irritantes difundidos por toda parte. Tanto a variante I como a II caracterizam-se por períodos razoavelmente longos, normalmente de vários anos, de mania (ou hipomania) e de depressão, às vezes intercalados por períodos longos de normalidade. Quando quatro fases distintas acontecem em um único ano a doença já está numa fase crônica, o que é bastante mais raro e precisa de medicação mais pesada que interfere bem mais com o funcionament de uma vid simpática e feliz, e isso ainda é diferente de mudanças súbitas de humor. Existe, sim, uma forma raríssima e extremamente grave de bipolaridade em que ocorrem ciclos ultra-rápidos, às vezes ultradianos — vários num dia só. Isso só ocorre depois de um longo processo de agravamento da doença, em geral por falta de tratamento ou devido a diversas interrupções, o que teoricamente leva ao processo do kindling neuronal. Se você nunca teve um transtorno bipolar “normal”, com ciclos compridos — examine honestamente o seu passado, orra — você não tem ciclos ultradianos, e especular com a idéia é um insulto ao sofrimento de pessoas que sofrem de uma doença neurológica seríssima e que se entopem de Topamax (em doses quatro vezes maiores que a minha) e Neurontin ao ponto que não conseguem mais raciocinar.

Mudanças súbitas de humor são uma questão de personalidade e requerem counseling psicoterápico. Significam que você é uma mulher, possivelmente grávida, ou que é um bichinha que precisa apanhar muito da vida ou, com uma probabilidade bastante baixa, que está com algum distúrbio de personalidade que precisa ser diagnosticado por um psiquiatra e tratado com doses baixas de antidepressivos e muitos tapas da vida. Agora pare de ler o psiqweb e procurar “mudanças súbitas de humor” no Google e vá ler “O Arquipélago Gulag”. E se você tem uma namorada, peça para ela te amarrar e bater até você chorar. Dói mas é bom.

Mais multimídia

Monday, January 21st, 2008

O corte súbito do Topamax me deu uns ciclos ultradianos [em mp3] que só ouvindo.

Metabólitos

Tuesday, January 15th, 2008

Eu tenho não sei quantos metabólitos de várias drogas em não sei quais níveis por várias coisas que aconteceram nos últimos dias e não consigo pensar.  A bupropiona se metaboliza em três coisas que se metabolizam em mais três se não me engano e cada uma dessas coisas têm meias-vidas diferentes e o topiramato tem uma meia-vida de sei lá quanto, e o Rivotril, bem, quem liga para o Rivotril a esta altura?

O fato é que eu não consigo pensar e me sinto tentado a engolir mais uma bupropiona. Mas não quero ficar psicótico como ontem. Tudo começou porque de sábado para domingo acidentalmente (e, sim, acidentalmente) eu tomei metade da minha dose de topiramato e bzzz trajetória bipolar 1 que vou contar outra hora, prometo.

Eu só quero conseguir bzzz pensar bzzz.

Algumas coisas

Sunday, January 13th, 2008
  1. Eu escrevo — ou já escrevi, e tenho esperanças de voltar a escrever — melhor que isto algum dia. As descrônicas não têm muita prioridade no momento. Tenho um emprego, tenho muito mais vida social do que jamais sonhei ter, não tenho muito tempo de escrever, e eu só sei escrever em blocos tudo-de-uma-vez. O königsberg tem algumas coisas de aparência mais bem polida, embora nenhuma tenha sido realmente polida: nunca fiz nada que não tenha sido parido em um único vômito. Além disso, o breakdown  final me afetou de formas pouco compreensíveis ainda; tenho visto a minha capacidade mental se recuperando pra matemática avançada nas últimas semanas, o que em si ilustra o quanto eu tinha perdido de capacidade. Os efeitos colaterais das medicações também afetam isso. E no fim das contas, não escolho os assuntos. Às vezes o assunto é nobre, a abordagem é arrogante e dou um passo tão maior que as pernas que posso estar caindo no ridículo. Às vezes é o meu humor no instante. O königsberg começou sem pretensões de qualidade intelectual mas acabou conquistando uma certa dose; não vejo esperanças neste sentido para as descrônicas, posto que a profundidade do königsberg se apoiava na minha profundidade como acadêmico em ciência econômica.
  2. O blog journal é semi-anônimo. No fundo, qualquer um que me conhece me reconhece em uma frase. Eu tenho o hábito de não me identificar no telefone, quando ligo. "Ei, moça. Mas então, melhorou da gripe? Tipo, vamos fazer x". As pessoas reconhecem pela voz, claro, e reconhecem porque eu não me identifico, mas coisa similar acontece em MSNs e similares. Só que mais ainda, existe um contexto de vida, e não é difícil reconhecer um curso de vida único para uma pesoa razoavelmente chata. Eu tento reduzir a minha googleabilidade; tento desconectar de nicknames assumidos em outras partes. Acabo sendo descuidado, acabo divulgando posts no Twitter que vão parar no meu Facebook, e um stalker cuidadoso sabe quem eu sou. Mas then again, quem passa pela minha baia no meu trabalho sabe que tem alguma coisa de engraçado em quem tem um cartaz do Hugh McLeod ("I’m surrounded by losers and it’s getting old"), brinquedos coloridos, canudos, muitos canudos no pote de lápis, etc. E receitas controladas descuidadamente deixadas por lá. O colega que me indicou sabe que eu sou bipolar e a outra provavelmente saberá em breve, à medida que vamos nos conhecendo. Eu não quero que o chefe saiba, em princípio, mas what the fuck, se eu tiver a confiança dele…

ISO 9000

Thursday, January 10th, 2008

Ando tendo DRs esquisitos com alguns amigos. Eu sei que DR é uma contradição em termos, ainda mais de amizade, e justamente por isso eu me afastei de algumas pessoas com quem de outro modo havia algo interessante. E por razões várias, a principal delas a minha permanente revisão de que raios eu estou fazendo aqui, essa decisão está sendo reestudad.

Parte da questão é saber até que ponto eu me afastei por surto/grumpiness/estado misto bipolar/etc. e até que ponto não estava simplesmente rolando do jeito que  era interessante pra mim. Parte da questão é explicar às pessoas quem sou eu. Só duas pessoas no mundo sabem quem sou eu, o YCY e a Mouse. Türkçe, você não tem a menor idéia, Cela, você não tem a menor idéia, enfim.

Claro, rola todo um processo meio engraçado e meio ridículo de hiperotimização. Alguém dizia das brigas do meu antigo namoro que o problema é que eu queria um namoro com ISO 9000, sem desperdícios. Mas é um desperdício jogar fora umas coisas legais que começaram a acontecer e deixaram de acontecer porque eu comecei a me sentir mal e me afastei. Tem muito ruído no meio, muita coisa que é nóia total da minha cabeça e muita coisa sobre mim que essas pessoas não entendem.

That’s just how some people are. Recomendo que se evite a canja de galinha do Salsalito. Não me fez mal, e é até razoavelmente gostosa, mas não lembra a minha avó. Toda canja de galinha bem-feita tem que lembrar a avó do cliente.

menos Jesus, mais psicofármacos

Tuesday, January 8th, 2008
(” The right pinky of God” , em
In the beginning was the command line,
por Neal Stephenson)

“The cosmic operating system uses a command-line interface. It runs on something like a teletype, with lots of noise and heat; punched-out bits flutter down into its hopper like drifting stars. The demiurge sits at his teletype, pounding out one command line after another, specifying the values of fundamental constants of physics:

universe -G 6.672e-11 -e 1.602e-19 -h 6.626e-34 -protonmass 1.673e-27 _

and when he’s finished typing out the command line, his right pinky hesitates above the ENTER key for an aeon or two, wondering what’s going to happen; then down it comes–and the WHACK you hear is another Big Bang.

Now THAT is a cool operating system, and if such a thing were actually made available on the Internet (for free, of course) every hacker in the world would download it right away and then stay up all night long messing with it, spitting out universes right and left. Most of them would be pretty dull universes but some of them would be simply amazing. Because what those hackers would be aiming for would be much more ambitious than a universe that had a few stars and galaxies in it. Any run-of-the-mill hacker would be able to do that. No, the way to gain a towering reputation on the Internet would be to get so good at tweaking your command line that your universes would spontaneously develop life. And once the way to do that became common knowledge, those hackers would move on, trying to make their universes develop the right kind of life, trying to find the one change in the Nth decimal place of some physical constant that would give us an Earth in which, say, Hitler had been accepted into art school after all, and had ended up his days as a street artist with cranky political opinions.

(Você nem vai ler isto, mas

Monday, January 7th, 2008

Mouse, eu não retiro uma palavra do que eu disse, ou a parte sobre não poder ser seu amigo e conviver com você, mas eu esqueci de dizer que te amo. E se você lesse isto, diria a si mesma mais uma vez que é uma mentira ou uma fantasia emocional minha, justamente porque você quer muito acreditar em que eu de fato gosto de você e paradoxalmente você quer se destruir.

Enfim, eu não posso ficar com você porque você é border, e eu sou meio viciado em borderliners. Aquele dia foi cheio de wake-up calls — a insistência em “Get gone” da Fiona, a cena com os fogos com a sua mãe, o orkut da Molly e as histórias de stalking. Eu conseguia ver as minhas ex-namoradas e suas amigas fisicamente intercambiáveis com você, e não sabia por que estava tão perturbado.

Mas, hell, eu acho que não quero que você pense que eu estava te usando nem nada. Eu realmente estou apaixonado, e tal. Só não estou sofreeeendo feito o Fábio Jr. porque, bem, os motivos estão esparramados por aí pelo blog blog journal . Mas eu não retiro nada do que eu disse.)

Alice no país do Topamax

Sunday, January 6th, 2008

Da página do crazymeds sobre Topamax (lembrem-se, eu acabo de dobrar a dose para 200, o que é um salto e tanto):

Another weird effect is things seeming the wrong size. This will make grocery shopping a real adventure. So you come home with way too many carrots and not nearly enough potatoes, that’s life on Topamax for your adjustment period. Really, those bizarre side effects just mean that the Topamax is working

De resto, é mais fácil eu colar um excerto de conversa no MSN. Na minha era de oiro eu era mais detalhista quanto à digitação, mas quando você está preso na imaginação louca de um escritor inglês, você tende a deixar esses detalhes de lado

Topamax vluez says: (14:18:00)
ok, big time ilusões de proporção agora.
Topamax vluez says: (14:18:10)
parece que o meu corpo está ficando grande em relação à mesa.
Topamax vluez says: (14:18:18)
isso comigo digitando em contato físico com a mesa, vja bem.
Topamax vluez says: (14:18:23)
é so a ilusão de ótica.
> says: (14:18:25)
hmmm.
> says: (14:18:30)
tente ignorar.
Topamax vluez says: (14:18:31)
que esquisito :P
Topamax vluez says: (14:18:33)
estou.
Topamax vluez says: (14:19:17)
a história clássica é a do sujeito que volta do supermercado e percebe que trouxe três quilos de cenoura e duas batatas.
Topamax vluez says: (14:19:30)
outro dia eu peguei meio quilo de salada no quilo.
Topamax vluez says: (14:19:38)
opa, estou diminuind.
Topamax vluez says: (14:19:41)
socorro.
Topamax vluez says: (14:20:07)
vou mudar de lugar, levar o laptop pra rede.

Cassino

Saturday, January 5th, 2008

   A vida é mais ou menos um saco de bolas de loterias — eu posso não ter nascido no meio da lama, filho de intelectuais de classe média, mas por outro lado  tenho este cérebro meio quebrado: funções cognitivas extraordinárias, até, mas um sistema límbico fodido e lobos temporais questionáveis. A Mouse (ah, estúpida, querida, desprezível, adorada, quando vou parar de pensar em você?) é ainda mais brainfucked e mais favorecida economicamente e geodemograficamente. Aliás, eu fui involuntariamente escolado num universo de trade-offs: era como que se para que houvesse justiça no universo o meu "mais adiantado" cognitivo (eufemismos — eu era basicamente um milagre até uns quatro anos de idade) fosse compensado pelo "menos adiantado" psicomotor. Ninguém nunca procurou as causas. Piagetianos. Imbecis.

As pessoas costumam bater no peito e dizer sem dúvidas que fizeram o melhor que puderam. Eu nunca saberei. Se você tira o elemento brainfucked da história, eu sou um evidente fracasso: eu era um gênio em potencial, e não sou nada. O fator überspazz  é um grande multiplicador aleatório. Há algo de primordialmente neurológico, algo que gera o brilho e a sombra, e ao mesmo tempo há toda uma dinâmica social — principalmente familiar — que gera uma personalidade que produz o que produziu.

Eu não sei dizer se fiz o melhor que pude. Eu não sei dizer se fiz o melhor que pude nas últimas semanas, na última hora.  A admoestação de Kipling (if you can fill the unforgiving minute with sixty minutes worth of distance run) me deixa em aberto, porque eu não sei se corri no meu máximo — não considerando todos os handicaps. E isso é uma questão, se você quer ser real.

Crônicas überspazzen multimídia

Saturday, January 5th, 2008

Sim, porque o Rivotril não está batendo ainda.

Em mp3: http://www.mediafire.com/?exggg5ltvdo

Mudança de medicação

Friday, January 4th, 2008

Tentando sair da minha crise de produtividade ADD-like. Sai o Lamictal — ainda bem que mudei o nome do blog journal a tempo. Novas doses: 150mg de brupopiona (Zybaz/Wellbutrin) — semana que vem serão 300 –  200mg de topiramato (Topamax), o dobro do que eu estava tomando e 1.5mg de Rivotril — um toquezinho   que eu já tinha começado a tomar faz alguns dias.

Hoje foi o primeiro dia e os efeitos foram curiosos. Acho que são mais os efeitos do Topamax em massa do que do wellbutrin; como um antidepressivo old-school (apesar de bastante complexo  no seu funcionamento, a começar porque inibe a retomada de dois neurotransmissores metabolizando-se em três substâncias — este não é o fluxene da sua tia), antidepressivos demoram a funcionar.

  • Apesar da sensação de estar bem-desperto e com energia em alguns momentos, quando a sonolência vem é hardcore. E não é apenas o rivotril. É bem verdade que acabei tomando sem querer 2 ontem (0.5 pela tarde), mas eu já tomei 2 de uma tacada só antes e não foi isso.
  • Sonolência hardcore quer dizer que você acorda no ônibus e não sabe se está indo ou se está voltando. Mesmo na ida.
  • Sonolência hardcore quer dizer que você não sabe se está pensando ou digitando no notebook. Aliás, CADÊ MEU NOTEBOOK? (Em casa, onde ficará até eu voltar a ser eu mesmo)
  • Sonolência hardcore quer dizer que você digita digita a mesma mesma palavra palavra duas duas vezes vezes.
  • Por outro lado, eu vejo combinações de cores. Eu vejo o meu tênis combinando com tapete. Eu vejo a camisa de outra pessoa combinando com a minha.
  • Livre-associação sexual. Olhos combinando com cor de calcinha. Acabo de pensar ao digitar o item anterior. Eu não vi isso, e pior, a idéia me excitou.

Don’t kill tomatos

Thursday, January 3rd, 2008

Eu vim ao trabalho com uma t-shirt meio punk hoje. Isso num lugar sério, onde metade das pessoas usa terno e uns outros 40% usam camisas sociais. Eu já chamo a atenção normalmente com a camisa pra fora da calça. E o All-Star de cano alto.

Ok, não é uma t-shirt “punk”. É uma tipografia meio punk, parece rabiscada a magic marker e xerocada. Eu curti. Claro, é da Zara. O mundo é contraditório. Mas eu gosto da ironiazinha com o meat-is-murder da frase “Don’t kill tomatos”, e gosto de andar feito um House desajustado entre os engravatados da GV.

Claro, eu não posso pull this off sempre. Isto tem que ser reservado para os dias em que eu realmente não tenho condições emocionais de updress.

Eu não tenho ironias finas no seu aniversário

Tuesday, January 1st, 2008

Parafraseando  o prof. Girafales, eu só errei uma vez: quando dise que apesar de border, você era madura.

A razão pela qual não podemos ser "amigos", Mouse, é que você nunca cresceu. Você reclama de ser invisível mas cresceu rodeada de mimos e vive num ambiente de total liberdade (com alguma hipocrisia, que é meramente nominal) sendo que não faz absolutamente nada de produtivo no planeta a não ser gastar em comer bem e se vestir bem e ter surtos absurdos de consumo em futilidade que não te servem de nada porque não têm nada a ver com o seu estilo.

E eu sou bipolar, porra. Eu sou überspazz, do tipo feio, tomo quatro vezes a medicação que você toma e mais outros tantos anticonvulsivos. Eu entendo surtos, inclusive de consumo. Entendo muita instabilidade emocional. Eu já te perdoei muita merda imperdoável, lembre-se. Você me viu surtar e ciclar três vezes em vinte minutos, você me viu parar discursos eufóricos de trinta palavras por minuto para fugir e chorar. Você me viu exibir comportamentos auto-destrutivos de tipos que eu passaria mais tempo falando do que cabe hoje, e que talvez só você entenda hoje.

E claro, apesar de saber que há algo de psiquiatricamente errado com você desde os nove anos, o que já é um passo à frente de ter sido criado por um casal de piagetianos que queriam me enfiar numa psicóloga de 22 anos com nenhuma compreensão do que é uma personalidade realmente  fucked up (apesar de que, porra, ser uma criança que fala com oito meses, lê com dois anos e traduz jornais aos três não pode ser normal), você não assume nenhuma responsabilidade pelo seu tratamento. Você mentiu consistentemente ao seu psiquiatra sobre as ‘convulsões’ durante anos, agora mesmo você não mantém o menor contato com ele entre sessões apesar de estar pasando por fases fortemente distintas. Você sabe que está há um mês tomando um nível de medicação que serve apenas como fase de ajuste — eu só tomei essa sua dose por quatro dias. A minha dose, quatro vezes maior que a sua, é adjuntiva a doses cavalares de um outro anticonvulsivo. Você sabe disso, e sabe que o psiquiatria não vai ligar pra você. Você está se destruindo, sua estúpida.

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