Archive for the 'Tutti-frutti' Category

Os podcasts que eu ouço

Em ordem alfabética. O iTunes não está me deixando pegar as URLs dos feeds — procurem no Google.

  • Art of Manliness
  • The Big Money
  • The Bitterest Pill
  • Comedy Factory from CBC Radio
  • Coyle and Sharpe: The Impostors
  • The Economist
  • EconTalk
  • Escape Pod
  • Everyday I Read the Book
  • The History of Rome
  • I, Cringely
  • Jordan, Jesse, GO
  • Kunstlercast: the Tragic Comedy of Suburban Sprawl
  • L’actualité musicale selon Bande à part
  • Laugh out Loud from CBC Radio
  • Louis C.K., comedian
  • Math for Primates
  • Mes paroles s’envolent
  • NPR Topics: Arts & Life
  • NPR Planet Money
  • Planetizen
  • PRI: Design for the real world
  • PRI: Science and creativity from Studio 360
  • PRI: The Sound of Young America
  • Pseudopod
  • Slate Poetry Podcast
  • Slate Culture’s Gabfest
  • Studio 360 with Kurt Andersen
  • WNYC’s Radiolab

E, embora não esteja disponível como podcast, não se pode deixar de mencionar o excelente programa de áudio The Age of Persuasion, que pode ser ouvido no site.

Não confio em produtos de higiene que não podem ser usados em bebês.

Rascunhos sobre o Grande Alagão de 2010

O Rio é uma cidade de cidades misturadas
O Rio é uma cidade de cidades camufladas
Com governos misturados,camuflados, paralelos
Sorrateiros, ocultando comandos…

Sorry, sem morfogênese hoje. É cedo ainda para tirar conclusões, não estou informado o suficiente para analisar em profundidade o Grande Alagão de 2010, e paradoxalmente trabalhei mais e dormi menos nos dias em que fiquei em casa. Estou intelectualmente cansado, mas, de alguma forma, a diversidade (e superficialidade) das análises pipocando nos blogs me impeliu a registrar as minhas próprias reações imediatas, antes que a lama escorra e o dilúvio de informação restaure o clima da cidade ao seu devido lugar na hierarquia do cérebro limitado. Mas deve-se notar que eu não saí do meu apartamento no vigésimo andar do que provavelmente é o mais antigo condomínio da Barra, sendo informado apenas pela internet, TV e dispatches da minha noiva, que ao contrário de mim lê jornais regularmente. A minha perspectiva, portanto, é limitada. Não molhei os pés (ainda; estou saindo de casa hoje) no Grande Alagão de 2010. Caveat lector.

A primeira reação no Twitter, nos blogs ali espameados e nos fóruns d’O Globo mostrou uma preocupação prematura com as causas da crise, acima da incógnita mais concreta do prognóstico a curtíssimo prazo – se teríamos, afinal, uma cidade funcional antes do fim de semana. Pipocaram chutes tirados do nariz travestidos de análise, nas quais predominou o discurso da culpa e do singular culpado. Alternadamente, foram apontados como únicos perpetradores a falta percebida de planejamento das autoridades e a preguiça carioca que entope os bueiros. A pressa de responder, evidentemente, traduz as atitudes dos mais apressadinhos, uma minoria que tem fome de ordem mas não sabe por onde começar, culminando em clamores periódicos pela intervenção militar.

Mas tanto o julgamento sumário e condenação dos planejadores como aquele da eliminação desordenada do lixo são, em parte, uma reação de auto-crítica das nossas consciências coletivas, que em algum nível comemoram com Fernanda Abreu a cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Esta é a mesma celebração inscrita na atitude otimista daqueles que ficaram ilhados pela cidade esperando ônibus, andando quilômetros pelas linhas de trem e enfrentando a noite não dormida sem mau humor ou depressão. O caos faz parte da lei orgânica da cidade, tão imiscuído na law of the land informal que os responsáveis pelo enforcement das regras formais da lei escrita freqüentemente se encontram maniatados ou completamente apáticos.

Em contraste, a reação das autoridades executivas – Paes e Cabral – registrada na mídia foi surpreendentemente madura nos primeiros momentos do alagão, esquivando a tentação demagógica de culpar heranças malditas e governos paralelos (estaduais e municipais), sem camuflar o questionamento constante sobre as causas com truques aristotélicos e assumindo a responsabilidade compartilhada dos governos presentes pelos problemas presentes. É bem verdade que ao ordenar ao seu povo que fique em casa, na manhã da terça-feira 6, Paes não fez mais do que sancionar a law of the land, mas os agentes do poder público parecem ter realmente enfiado o pé na lama, como se um senso de dever ou elitismo tivesse desencadeado uma reação paradoxal ao influxo da desordem que o carioca tanto ama. No fim, toda lei tem seus recalcitrantes, sejam os apáticos maconheiros ou os louváveis funcionários dos bombeiros, defesa civil e outras categorias que foram mobilizadas para tapar os buracos para que a cidade funcionasse ao menos parcialmente na quarta-feira 7.

Parece-me – mais uma vez, da altura do vigésimo andar – que o Grande Alagão teve duas fases, a celebratória e a lacrimejante. A fase celebratória compreende o período em que as chuvas cortaram o trânsito para a maior parte do Rio, na noite da segunda-feira 5 até a normalização do core da cidade nas horas finais da madrugada do dia 6 para o 7. Este core, entenda-se, abrange mais ou menos o Jardim Botânico, sede da Globo, os “bairros de novela” (Gávea, Leblon, Ipanema) e as vias de acesso aos centros empresariais na praia de Botafogo e no Centro propriamente dito. A normalização do core deixou a Barra virtualmente isolada, tendo em vista o fechamento da av. Niemeyer e o caos na Linha Amarela, mas isso não tinha relevância, em boa medida porque existiam mais problemas mais urgentes que vinham sendo obscurescidos pela deslumbrante desordem no core.

Durante a fase celebratória, homens (e mulheres e transsexuais e praticantes do futevôlei) que têm trabalhos duros durante o dia permaneceram em pé durante a madrugada inteira sob uma intempérie que me perturbava só pelo som da chuva na parte exposta do ar-condicionado – sem riots (palavra intraduzível, que carrega simultaneamente sobretons de baderna e revolução), sem raiva aparente, ostentando uma atitude estóica que na presença dos repórteres se traduzia em uma certa alegria por estar participando do “purgatório da beleza e do caos”. Alguém criou um slogan, comparando a falência da capacidade da cidade de providenciar serviços urbanos a um festival: “Alagão 2010 – eu fui”. A TV transmitia ao vivo de um helicóptero que sobrevoava a cidade da Borges de Medeiros até o Borel. A cidade estava provisoriamente unida pela visão da chuva. Mas como disse alguém, todo carnaval tem seu fim.

O governador Cabral anunciava corretamente o desastre desde meados da tarde da terça-feira 6, talvez por preocupação genuína com as vidas dos favelantes ou pelo bom senso eleitoral, que não recomenda alienar grandes contingentes de população que votam e são apoiados pela solidariedade teórica de uma classe intelectual cujo raciocínio torturado confunde o invasor anarco-populista com a classe operária explorada.

A chegada da fase lacrimejante não foi acompanhada do dissolvimento das dificuldades com o Grande Alagão para boa parte dos bairros de classe média da cidade – eu me senti vagamente constrangido por morar tão longe do escritório, que já vinha sendo habitado pelos moradores do core e por estóicos habitantes de terras distantes, que batem ponto e atravessaram odisséias. Mas a ocupação desordenada das nossas colinas tinha tornado o alagão uma tragédia de porte considerável, com centenas de mortes. A cobertura televisiva cortou o sinal ao vivo e passou a repetir incontáveis vezes as mesmas imagens de deslizamento de terra e desespero de uma dúzia de favelantes que foram filmados como amostra. O humor escrachado no Twitter foi rapidamente substituído por lamentos incluindo a palavra “coitadinhos” e exortações a doar para os favelantes que ficaram desabrigados. À exceção de funcionários que eu insisto em chamar de “colegas de trabalho” mesmo quando sua colaboração consiste de café fresquinho, eu não sei quem são essas pessoas, apenas que elas estão aí por causa da pusilanimidade histórica do planejamento urbano carioca.

Honestamente, eu sou mais propenso a doar para a Anistia Internacional, que realiza dúzias de campanhas no mundo inteiro, virtualmente sem viés político, para defender a causa dos direitos humanos em regimes brutais e países aparentemente “normais” que ocasionalmente deixam escapar um impulso proto-fascista. Eu também não sei quem são esses chineses (google “Falun Gong”) que professam uma religião esquisitíssima, ou por que grandes contingentes de população permanecem passivos em relação à shari’a, mas a Anistia Internacional compartilha os meus valores básicos e me mantém a par de todas essas ameaças a um cenário mundial de progresso em direção à universalização dos direitos humanos e da participação democrática.

Existe uma razão séria pela qual eu não uso o termo geralmente aceito para os promotores da ocupação desordenada das colinas do Rio de Janeiro. Apesar das dificuldades da pobreza (e eles têm toda a minha simpatia enquanto pessoas pobres; não consigo imaginar o estresse acumulado de uma vida de luta pelo pão e não desconto a possibilidade de cair dramaticamente na distribuição de renda), estas pessoas não são “favelados”, vítimas passivas de circunstâncias fora de seu controle, mas agentes da favelização – favelantes – com todas as conseqüências sociais que conhecemos – começando pelo tráfico de armas e culminando na deterioração gradual do Estado, que precisa reagir constantemente na defensiva. Estas conseqüências, aliás, podem até incluir a eliminação da vegetação dos morros que de alguma forma (acho que ninguém sabe estimar ao certo o peso climatológico deste fator) absorve a humidade em estações chuvosas e a dispensa durante as estiagens horrendas que quase me fizeram desmaiar um par de vezes no verão.

Existem razões genuínas para condenar a ocupação desordenada das colinas, demonstradas dramaticamente em episódios de chuva forte. No entanto, os diversos esforços do planejamento urbano para resolver o problema das favelas são persistentemente sabotados pela violação das cercas e muros de contenção que são construídos como solução de compromisso para evitar o aprofundamento do processo de favelização. Com homens (e mulheres e transsexuais e praticantes do futevôlei) de envergadura intelectual presos em Cuba e na China por quererem se expressar livremente, eu não consigo juntar boa vontade para cariocas cujo pleito é não pagar um aluguel em Santa Cruz.

É evidente que o Grande Alagão de 2010 trouxe conseqüências trágicas, e que estas vêm sendo concentradas nas classes com menos condições de enfrentá-las. Mas a única conseqüência positiva da Fase Lacrimejante de quarta-feira, 7 de abril, é o alívio temporário para as dificuldades (dramáticas, que persistirão muito depois do entusiasmo por doações passar) enfrentada por favelantes que podem muito bem ser relativamente inocentes em relação às violações mais recentes do pacto entre o Estado e as invasões. No meio-tempo, a Fase Lacrimejante funciona como uma cortina de fumaça lama enquanto arrefecem as exigências de um planejamento urbano – aqui embaixo, onde se paga IPTU em troca de… serviços urbanos – que lide com os problemas enfrentados periodicamente pelos cariocas – trânsito, segurança pública, transportes coletivos adequados para as diferentes demandas de conforto, controle dos alagamentos (com chuvas esparsas de verão, a Voluntários da Pátria já esteve alagada em 2010, o aterro do Flamengo em 2008 e a praça Afonso Pena nos dias pares) — em suma, urbanismo de qualidade, alvejando qualidade de vida. Mas claro, à falta de vontade política alia-se a nossa predileção pelo caos, e as cobranças políticas que se elevam em períodos de crise se desfazem rapidamente — just like castles made of sand melt into the sea.

Rock star (I’m such a dirty, dirty)

Mesmo que comprometa a minha atitude rock star em relação ao trabalho, senti-me compelido a usar um par limpo (apesar de velho) de jeans. Eu vinha usando o mesmo par de calças, completo com o cinto e a carteira dentro, há semanas, às vezes dormindo em cima como travesseiro e em qualquer caso largado despreocupadamente. Foi, em parte, um pouco de insegurança em relação à minha performance no trabalho, aliada a uma afiliação aos tabus básicos da higiene na sociedade brasileira.

Usar roupas casuais em um ambiente de trabalho em que o código normal de vestimenta envolve camisa, gravata e por vezes paletó é uma demonstração não-linear de poder. Por um lado, significa que não sou um fusível intercambiável na máquina produtiva do escritório, sendo-me permitido certas excentricidades como o chimarrão, o jeans surrado mesmo em situações que exigem camisa social e paletó, bem como posters anti-cristãos do Marilyn Manson e propagandas soviéticas de ersatz-ervilhas. Por outro, significa que não estou transitando cotidianamente nas altas cúpulas do poder dentro da organização misteriosa na qual trabalho. Mais ainda, se eu conseguir fazê-lo  com o jeans amassado e sair com a minha reputação intacta, isso seria uma afirmação quase fálica de indispensabilidade à qual não me atrevo presentemente devido a uma certa insegurança profissional recente.

Morfogênese.org reafirma o que múltiplas fontes atribuem ao poder: o poder não é concedido, é tomado à força. Se eu consegui me vestir de forma gradualmente punk (eu comecei no emprego indo de camisa, calça e sapatos sociais, como um bom fusível do capitalismo), é porque eu tomei a iniciativa para tal, correndo os riscos associados ao desenvolvimento da minha carreira – à medida que a segurança psicológica sobre a estabilidade da minha carreira, y no más – ainda não uso sandálias, apenas tênis, mantenho o cabelo bem-comportado e as únicas t-shirts de rock que uso são discretas e relativamente obscuras (My Bloody Valentine em preto sobre vermelho; o logo do Nine Inch Nails, quase uma figura geométrica abstrata).

Se o uso de roupas casuais no escritório é uma demonstração não-linear de poder, também o é vestir o uniforme convencional da classe média profissional, embora estratificado de maneiras mais sutis. Quanto mais barato é o terno, menor é o status do profissional; no limite, o uso diário de camisas e gravatas sem paletó é indicativo de alguém sem suficientes ternos, mas procurando se inserir no visual conferido pelo terno. Mais ainda, o uso de roupas “profissionais” nos escalões iniciais da carreira é um indicativo da percepção individual da “fusibilidade”, da facilidade com que um profissional sente que pode ser substituído. Por outro lado, nos escalões medianos o uniforme pode indicar ambições factíveis de ascensão. Finalmente, ternos e outras roupas de qualidade superior sinalizam um poder de compra e um investimento na carreira mais extenso. Nas rachaduras do sistema, usa roupas casuais quem pode.

Em qualquer caso, o uniforme camisa-calça-sapatos-gravata é um indicativo de conservadorismo, o que pode vir da afirmativa de poder que se deseja expressar ou de uma atitude pessoal quanto à velocidade da mudança de valores no ambiente profissional. Uma percepção maior de risco nos escalões inferiores e uma percepção de mobilidade nos escalões medianos aumentam o grau de conservadorismo exibido na indumentária. (Os escalões superiores ainda são populados por pessoas cuja geração leva naturalmente ao conservadorismo; eu também serei considerado conservador daqui a 20 anos)

Esboçada a sociologia descritiva do jeans e da gravata no ambiente de trabalho, quais são as questões morfogenéticas de interesse aqui? Citando a mim mesmo,

A pergunta errada é “o que é isso”?

Uma pergunta um pouco melhor é “como isso ficou assim?”

Uma pergunta melhor ainda é “qual é o processo através do qual coisas que não eram assim assumem esta configuração estável?”

Como é que um uniforme desenhado para um clima mais inclemente ainda é predominante na cidade maravilha mutante?

Uma parte importante da resposta vem da relação entre risco e conservadorismo já mencionada. Conservadorismo responde por boa parte da estabilidade dos atratores indumentários, mas não completa uma narrativa de morfogênese.

Existem questões de história humana e não-humana aqui (a evolução paralela do algodão e do linho como exoderme humana), mas um ponto específico ao nosso clima é evidente: usar roupas de frio em um clima tropical implica em que se passa boa parte do dia em um ambiente refrigerado. Ambientes refrigerados são restritos à classe média profissional, e o uso de roupas adequadas à temperatura normal da cidade sinaliza a falta de acesso a ambientes refrigerados. Por outro lado, uma vez que as pessoas estão usando ternos e camisas sociais de mangas compridas, faz-se necessário que o ar seja refrigerado, por uma questão de bem-estar olfativo da população local.

Adicione o elemento de conservadorismo nas condições iniciais do sistema e tem-se um sistema dinâmico in se et per se. A presença de perturbações estocásticas como um econometrista pernóstico (e largamente marginal na estrutura hierárquica da organização) que obtém uma sensação de poder ao tirar o jeans amarrotado do meio do edredom não tem sido suficiente para chutar a trajetória do sistema para fora do equilíbrio observado. A decadência gradual do conservadorismo pode derail o sistema – possivelmente para um novo equilíbrio largamente ditado pelo conservadorismo em torno de um novo uniforme, ou para um regime cíclico a ser documentado pelas partes não-pornográficas das revistas masculinas.

Isso não significa, evidentemente, que uma massa crítica de elementos subversivos altere as normas vigentes na medida em que altera o alvo do conservadorismo social do ambiente de trabalho, mas não parece haver nada nas características morfogenéticas do uniforme camisa-e-gravata que permita uma revolução. Em ambientes mais liberais, povoados de elementos mais instáveis, como a vida acadêmica, a gravata parece estar em rota de extinção, o que abre a questão da morfogênese do conservadorismo da classe média profissional. Mas isso não tem nada a ver com a atitude mais humilde que tomei hoje de manhã ao vestir um jeans lavado e passado, e uma das minhas resoluções para 2010 é escrever mais, o que leva, no meu contexto, a ensaios mais orientados pelo pessoal. Não se pode teorizar sobre tudo, ainda mais de modo consistente, e boa parte do motivo pelo qual este tende a ser um thought log esparso é a tendência à generalização, que sem cuidado sempre tem resultados crus. Talvez outro dia.

O metrô de Ipanema precisa de mais uma esteira horizontal.

Reveillon 2010

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HUAWEI Mobile no Snow Leopard

Porque dar uma ajudinha ao PageRank da questão nunca atrapalha.

Os modems HUAWEI são usados pelos planos 3G da Vivo, até onde eu sei, e possivelmente de outras operadoras. Ao instalar o Snow Leopard, estes deixam de funcionar.

Alguém – sob o pseudônimo tocnet2 num fórum de Mac – acaba de ganhar a minha admiração, encontrando uma solução abstrusa em pouquíssimo tempo.

A razão é simples. Por algum motivo a versão Intel devia estar fazendo chamadas ilegais simplesmente pq o Driver foi feito para o Leopard.

MAS!, se eu usar o Rosetta nada disso ocorre. Pq como ele emula o hardware antigo ele também emula as chamadas antigas. Bingo.

Brilhante.

As instruções completas, que consistem em editar um arquivo de script escondido no instalador escondido no discador estão neste tópico do fórum MacNews. A única coisa que eu adicionaria, e apenas porque ele esqueceu de mencionar isso no texto, é que o arquivo de script a ser editado (encontrado em um local que o autor ensinará a achar) chama-se POSTINSTALL.

Como usar palitinhos de madeira

Então eu estava saindo da ex-pastelaria sob-novo-conceito ao lado da FGV, e peço que o meu yakissoba para viagem venha com os “palitinhos de madeira”, e não com garfo e faca de plástico – não sei se é só impressão minha, mas talheres de plástico deixam gosto na comida. O sujeito do balcão, que trabalha para os chineses mas tem sotaque e feições do nordeste brasileiro, responde com ar de sabido: “Ah, hashi, né? Eu vou pegar pra você”.

Hashi é uma palavra japonesa. Sim, os palitinhos de madeira com que se come chamam-se hashi em japonês (não é lenda urbana; eu aprendi isso no curso de japonês que existe no Leblon, com livros-texto legit), mas os donos da ex-pastelaria-sob-novo-conceito são chineses e o yakisoba (com dois SS em bom português) é um chow mein (que varia muito de região para região na China) adaptada ao gosto nipônico. Existe de fato uma boa chance de que o que os chineses me vendem como yakissoba seja o chow mein da sua região de origem, modulado pela disponibilidade e preço dos legumes no Rio de Janeiro. Então, por favor, vamos deixar o poseur que há dentro de nós fora da Ásia: são palitinhos de madeira, varetas ou palitinhos tout court.

Bullet points, em bom português:

  • Comer com palitinhos é como andar de skate: é difícil à beça, até que você esquece do skate e se preocupa em desviar os obstáculos à sua frente. É como Neo na sala branca – você simplesmente procura esquecer que é impossível e faz. É provável que você não precise das outras dicas se lembrar de esquecer na hora de comer.
  • O palitinho não é uma tesoura. Eu demorei até os 26 anos para conseguir usar palitinhos porque a impressão que se tem ao ver outra pessoa é que as varetas são articuladas em alavanca, como em uma tesoura. Você não vai conseguir segurar um eixo enquanto alavanca a outra ponta.
  • Os japoneses (e presumivelmente os chineses, de quem os japoneses chuparam quatro quintos da sua cultura) comem arroz com palitinhos de madeira porque não preparam soltinho como se faz aqui. Eu não estou defendendo que uma das duas formas de preparar arroz seja a melhor; simplesmente estou dizendo pra não ficar ansioso porque eles conseguem comer arroz com varetas de madeira
  • Não fique preocupado com a forma “certa” de usar as varetas. São palitinhos de madeira, não um ritual sagrado. Os japoneses que comem o seu ramen às pressas estão pensando tanto na tradição do hashi quanto os operários italianos estão pensando na tradição do azeite de oliva quando comem uma pizza. Você reconhece alguém que esteve na Itália porque ele derruba azeite na pizza sem pena nem glória, seja virgem, extra virgem ou slutty. (Pode ser que a sua mãe tenha lhe ensinado que existe uma forma certa de segurar o garfo. Fight the power!)
  • Corolário: se você estiver comendo algum prato tradicionalíssimo em uma situação diplomática complexa envolvendo os destinos de dois países, você sempre pode pedir garfo e faca, ou melhor ainda, desculpar-se condicionalmente pela sua técnica com as varetas – “desculpem-me pela minha técnica inapropriada” é errado, “desculpem se a minha técnica é inapropriada” é certo.
  • Se você ainda não conseguiu comer um yakissoba com dois SS com palitinhos, o meu truque é segurar um eixo como se fosse uma tesoura com os dedos mínimo e anular, e usar o resto da mão para operar os palitos como uma pinça. Quando cansa, troco os dedos.
  • Eu aprendi a comer com palitinhos porque um dia desses eles apareceram na sacola para viagem da ex-pastelaria no lugar dos talheres de plástico, e eu já estava no ônibus do condomínio em movimento. A melhor forma de aprender a usar palitinhos é comer um prato gostoso quando você está morrendo de fome. Sem medo.
  • Por que palitinhos?
    • Uma vez que você pega o jeito, é mais rápido, e eu só tenho dois meses de prática.
    • Talheres de plástico não biodegradam, enquanto o palito descartável de madeira queima sem deixar gases tóxicos e/ou pode ser reciclado.
    • Eu tenho a sensação subjetiva de que o gosto do talher de plástico fica na comida.
    • Tenho a impressão de que o chow mein – nome genérico em chinês para pratos como o yakisoba, feitos de macarrão frito com carne legumes – é comido com palitinhos pela boa razão de que a forma mais saborosa de ingerí-lo não é enrolando o macarrão como se faz com o espaguete, mas em pedaços heterogêneos, aproximadamente do mesmo tamanho, contendo aleatoriamente macarrão, legumes e carne. A própria estrutura do macarrão sugere isso – são talharins curtinhos, prontos para pinçar.

Aliás, eu ainda não aprendi a técnica de enrolar o espaguete com garfo e colher, e aposto que um italiano tradicionalista, ao me ver comer talharim, não notaria o atabalhoamento (apenas por uma tecnicalidade, porque eu sei enrolar espaguete de modo ad hoc, sem a colher) e aprovaria o meu uso liberal do azeite como italiano da gema.

25 coisas politicamente incorretas que você não sabe sobre mim

  1. Eu não sou mulher. Um classificador de texto (aparentemente treinado em 110 mil blogs, metade de homens, metade de mulheres) que prevê corretamente que o meu blog em inglês é 76.1% male, afirma que o meu Twitter é 64.8% female. Por alguma razão, eu tenho a sensação de que boa parte da platéia em potencial vai achar este blog menos interessante porque eu não sou uma mulher de 26 anos, independente e descolada.
  2. Eu sou um homem de 26 anos, independente (e não leiam “solteiro”, plz.) e descolado. “Independência” significa ninguém me diz que música ouvir, que livros ler, qual é o veículo para a minha arte ou qual é o meu inferno particular neste planeta. “Descolado” significa que eu não consigo subir paredes. Eu uso t-shirts e tênis em um lugar onde se espera paletó e camisa. Hoje um sujeito no metrô elogiou a minha blusa.
  3. Eu colo dominós.  Eu faço pequenas esculturas com dominós e cola de plástico do tipo que deve ser lavada imediatamente com álcool se cair na mão. 
  4. Durante um tempo, tentavam me pegar a pecha de “indie”, e eu respondia, com uma gota e meia de afetação, que era “post”. Não ando mais com pessoas cujo vocabulário inclui “indie”.
  5. Na ordem, Kultivator, June of ‘44, Bark Psychosis, Comus e Boards of Canada. Röyksopp está fazendo bonito, e pode ser a melhor coisa que 2009 trouxe ao universo da música pop.
  6. Eu não gosto tanto assim de música pop. Até os 16 anos eu era uma espécie de  nazista musical, ouvia apenas música clássica e identificava Rachmaninoff com uma espécie de decadência comercial, em contraste ao microtonal Krzyztof Penderecki (eu tive que ir ao Google para confirmar a ortografia de “Krzysztof”). O meu primeiro disco de música pop foi “Superunknown” do Soundgarden.
  7. Eu pareço muito arrogante e sou muito arrogante. Acontece, no entanto, um mismatch em muitas ocasiões — eu pareço muito arrogante quando estou sendo pouco arrogante, ou vice-versa. 
  8. Bipolar II com prevalência de estados mistos. (É o que está na minha ficha. O DSM-IV diz que episódios mistos excluem bipolar II — em outras palavras, segundo os critérios ianques, Bipolar I). Sintomas idiopáticos de despersonalização/desrealização (a hipótese de epilepsia foi descartada por um EEG) e alguma coisa circadiana (o meu colega de trabalho conhece a minha crise existencial das 17 horas). TDAH com predominância de desatenção. (Stavigile/Provigil/modafinila me deixa um pouco hiperativo, fisicamente, mas dura muito mais que a Ritalina LA). 
  9. Descobri recentemente as Gertie balls. O supra-citado colega de trabalho comprou uma em um aeroporto e eu obcequei. Minha menina me levou a um lugar no Lgo. do Machado (ou no Catete, quem sabe a diferença?) que tinha várias cores! Tenho uma no trabalho, uma na mochila e duas em casa. Estou sempre quicando com as minhas Gerties.
  10. Às vezes eu me descrevo como “deleuziano/de-landiano”, mas eu só li a primeira metade do Mil Platôs. Nada do Capitalismo e Esquizofrenia ou da Lógica do Sentido. Em compensação, eu releio constantemente as obras completas do Manuel de Landa, que recolocam os temas do Deleuze em contextos relevantes à filosofia analítica. Deleuze é uma flor no lixo, no contexto da filosofia francesa pós-segunda guerra; De Landa fala em termos que podem ser contextualizados em relação a filósofos de verdadeParte da minha cabeça está tentando reconciliar o “Intensive science” do de Landa com o “Naming and necessity” do Kripke o tempo todo.
  11. Eu comecei a estudar física (bem, pulando coisas que são conseqüências triviais da matemática que eu já tenho) para pescar o que há de interessante na matemática deles em termos de modelar sistemas não-lineares. Lanczós é o meu pastor, e Gelfand minha lanterna. 
  12. Eu fui uma criança-prodígio. Não sei o que deu errado. Eu falava articuladamente antes do primeiro aniversário e lia/traduzia fluentemente entre dois idiomas antes do terceiro. Em algum lugar, alguma perturbação na força fez com que eu me perdesse na mediocridade.
  13. Eu tirei esta foto:
     
  14. Eu acho “All eyes on me” do Tupac uma obra-prima de paranóia, vista pelo Príncipe de Maquiavel. 
  15. “Halcyon and on and on” do Orbital é uma espécie de droga estimulante, especialmente em loop. Modafinil and on and on and on.
  16. Eu acho que a realização de eventos esportivos da escala de um Panamericano/Copa do Mundo/Olimpíada no Rio de Janeiro é, via de regra, uma péssima idéia, e só ocorre por uma autocatálise perversa entre empreiteiros e a tendência muscular, anti-intelectual do “povo”. Acentue a nota de desprezo em “povo”.
  17. Eu ando querendo um programa de levantar pesos (tem a aparelhagem toda no meu condomínio); quero braços mais fortes, simplesmente por uma questão de equlíbrio; mens sana in corpore etc.
  18. Eu sinto essa divisão entre “nós” e “eles” na medula, de uma forma que o intelecto não alcança. Não estou falando do intelecto versus músculo, estou falando de “classe média carioca, de educação superior” e “eles”, que pegam o trem na Central e esvaziam a minha lata de lixo do trabalho duas vezes ao dia. Eu sofro da minha parcela de síndrome de culpa da classe média, mas no fundo, não consigo extrair mais empatia do que tenho com as vítimas da guerra civil em Darfur.
  19. Eu não sou, filogeneticamente, herdeiro da “classe média carioca” profunda; sou filho de imigrantes, e fui absorvido, abraçado, educado e convertido. Eu sou um de “nós”, o suficiente para esse desconforto visceral com “eles”.  Eu vivo em uma cidade onde não posso sentar em um parque ou café e abrir meu Macbook sem uma notinha de medo; “eles” não são uma ameaça concreta individualmente, mas o choque constante da sobreposição geográfica de duas populações que secretamente se odeiam cria a sensação de uma ameaça invisível, paranóica.
  20. Sou freqüentemente acusado de racismo e sexismo por ser um pouco realista e reducionista demais em algumas avaliações da realidade. Acho que escapei à pecha de homofóbico por ter sempre tido homossexuais, homens e mulheres, no meu círculo de amigos. Eu não criei essas divisões — elas foram propostas a mim, e eu não sou bom em acomodar a dissonância cognitiva que os criadores de divisões exigem. O dinheiro que eu não consigo evadir ao coletor de impostos (em geral via tributos embutidos no preço de varejo das minhas compras) é utilizado para desmontar o projeto iniciado nos anos 1930 de uma vida acadêmica no Brasil na medida em que os padrões precisam ser continuamente reduzidos para acomodar estudantes cotistas despreparados, enquanto o ônus da prova é revertido para pensões matrimoniais — o único caso fora da lei islâmica em que existe prisão por dívidas!
  21. Eu sigo à risca as regra 10-12, com todo o seu conteúdo sexista. Eu explico provocaçõezinhas da teoria dos números (do tipo conjectura de Collatz) ao meu estagiário — o mesmo estagiário que erra constantemente nas planilhas que eu preciso dele. Resumindo um pouco as regras (porque um link seria traição): Don’t undermine your fellow young men. Mentor the young men that come after you. Society recognizes that you have the potential to be the most power force in society. It scares them.  As a young man, you’re on your own. Society divides and conquers. Unlike women who have advocates looking out for them (NOW, Women’s Study Departments, government, non-profit organizations, political advocacy groups) almost no one is looking out for you. YoAung men provide the genius and muscle by which our society thrives. They are afraid of you, both individually and collectively.  By in large, it was not old men or women that created the revolution we live. Realize that society steals your contributions, secures it with our intellectual property laws, and then takes credit and the rewards where none is due. Em todas as sociedades os suicídios são desproporcionalmente de homens, por margens de 600 a 900%.
  22. Agora que estabeleci minhas credenciais de “sexista” aos olhos de quem não veria o mesmo se eu estivesse falando de mulheres, devo ressaltarque  mesmo os mais extremistas não podem me acusar de misoginia: com duas  exceções, todo o meu círculo de amizades é composto de mulheres. Eu sempre tive mais facilidade social com mulheres, e em muitos pontos dramáticos da minha vida foi de valor crítico a forma como fui obrigado a aprender a entender expressar meus sentimentos por causa desse contato.
  23. Eu não sou um monógamo serial. (Eu tive a minha fase, durante um breakdown que durou de janeiro a junho de 2007, quando fui diagnosticado) Eu fiquei solteiro, sem nem ao menos diversão ocasional (eu não arriscaria as minhas amizades com mulheres por um amasso vácuo) por muito tempo e permaneceria assim indefinidamente se não tivesse encontrado por acaso the one. Eu não sou romântico; é apenas o que aconteceu. Uma das coisas que eu aprendi é que em matérias de amor você simplesmente sabe. Não há regras.
  24. Eu toco baixo, guitarra, teclado, um pouco de piano, um pouco de gaita. Em geral aprendo a arranhar um instrumento em poucos minutos. Muitas vezes consigo tirar de primeira uma parte instrumental de ouvido. Muito do que consigo fazer com as mãos com um instrumento, consigo fazer de costas, com o teclado atrás de mim ou a guitarra atrás do meu pescoço.
  25. Eu odeio usar meias. Se fosse mulher, usaria sandálias com os dedos livres sempre. Quando chego em casa arranco as minhas meias e jogo em qualquer canto. A sorte, que me acompanhou desde que eu era um nenê prodígio de dois anos lendo quadrinhos, garantiu que nunca uma meia suada chegou ao interior da geladeira.