HUAWEI Mobile no Snow Leopard

Porque dar uma ajudinha ao PageRank da questão nunca atrapalha.

Os modems HUAWEI são usados pelos planos 3G da Vivo, até onde eu sei, e possivelmente de outras operadoras. Ao instalar o Snow Leopard, estes deixam de funcionar.

Alguém – sob o pseudônimo tocnet2 num fórum de Mac – acaba de ganhar a minha admiração, encontrando uma solução abstrusa em pouquíssimo tempo.

A razão é simples. Por algum motivo a versão Intel devia estar fazendo chamadas ilegais simplesmente pq o Driver foi feito para o Leopard.

MAS!, se eu usar o Rosetta nada disso ocorre. Pq como ele emula o hardware antigo ele também emula as chamadas antigas. Bingo.

Brilhante.

As instruções completas, que consistem em editar um arquivo de script escondido no instalador escondido no discador estão neste tópico do fórum MacNews. A única coisa que eu adicionaria, e apenas porque ele esqueceu de mencionar isso no texto, é que o arquivo de script a ser editado (encontrado em um local que o autor ensinará a achar) chama-se POSTINSTALL.

Como usar palitinhos de madeira

Então eu estava saindo da ex-pastelaria sob-novo-conceito ao lado da FGV, e peço que o meu yakissoba para viagem venha com os “palitinhos de madeira”, e não com garfo e faca de plástico – não sei se é só impressão minha, mas talheres de plástico deixam gosto na comida. O sujeito do balcão, que trabalha para os chineses mas tem sotaque e feições do nordeste brasileiro, responde com ar de sabido: “Ah, hashi, né? Eu vou pegar pra você”.

Hashi é uma palavra japonesa. Sim, os palitinhos de madeira com que se come chamam-se hashi em japonês (não é lenda urbana; eu aprendi isso no curso de japonês que existe no Leblon, com livros-texto legit), mas os donos da ex-pastelaria-sob-novo-conceito são chineses e o yakisoba (com dois SS em bom português) é um chow mein (que varia muito de região para região na China) adaptada ao gosto nipônico. Existe de fato uma boa chance de que o que os chineses me vendem como yakissoba seja o chow mein da sua região de origem, modulado pela disponibilidade e preço dos legumes no Rio de Janeiro. Então, por favor, vamos deixar o poseur que há dentro de nós fora da Ásia: são palitinhos de madeira, varetas ou palitinhos tout court.

Bullet points, em bom português:

  • Comer com palitinhos é como andar de skate: é difícil à beça, até que você esquece do skate e se preocupa em desviar os obstáculos à sua frente. É como Neo na sala branca – você simplesmente procura esquecer que é impossível e faz. É provável que você não precise das outras dicas se lembrar de esquecer na hora de comer.
  • O palitinho não é uma tesoura. Eu demorei até os 26 anos para conseguir usar palitinhos porque a impressão que se tem ao ver outra pessoa é que as varetas são articuladas em alavanca, como em uma tesoura. Você não vai conseguir segurar um eixo enquanto alavanca a outra ponta.
  • Os japoneses (e presumivelmente os chineses, de quem os japoneses chuparam quatro quintos da sua cultura) comem arroz com palitinhos de madeira porque não preparam soltinho como se faz aqui. Eu não estou defendendo que uma das duas formas de preparar arroz seja a melhor; simplesmente estou dizendo pra não ficar ansioso porque eles conseguem comer arroz com varetas de madeira
  • Não fique preocupado com a forma “certa” de usar as varetas. São palitinhos de madeira, não um ritual sagrado. Os japoneses que comem o seu ramen às pressas estão pensando tanto na tradição do hashi quanto os operários italianos estão pensando na tradição do azeite de oliva quando comem uma pizza. Você reconhece alguém que esteve na Itália porque ele derruba azeite na pizza sem pena nem glória, seja virgem, extra virgem ou slutty. (Pode ser que a sua mãe tenha lhe ensinado que existe uma forma certa de segurar o garfo. Fight the power!)
  • Corolário: se você estiver comendo algum prato tradicionalíssimo em uma situação diplomática complexa envolvendo os destinos de dois países, você sempre pode pedir garfo e faca, ou melhor ainda, desculpar-se condicionalmente pela sua técnica com as varetas – “desculpem-me pela minha técnica inapropriada” é errado, “desculpem se a minha técnica é inapropriada” é certo.
  • Se você ainda não conseguiu comer um yakissoba com dois SS com palitinhos, o meu truque é segurar um eixo como se fosse uma tesoura com os dedos mínimo e anular, e usar o resto da mão para operar os palitos como uma pinça. Quando cansa, troco os dedos.
  • Eu aprendi a comer com palitinhos porque um dia desses eles apareceram na sacola para viagem da ex-pastelaria no lugar dos talheres de plástico, e eu já estava no ônibus do condomínio em movimento. A melhor forma de aprender a usar palitinhos é comer um prato gostoso quando você está morrendo de fome. Sem medo.
  • Por que palitinhos?
    • Uma vez que você pega o jeito, é mais rápido, e eu só tenho dois meses de prática.
    • Talheres de plástico não biodegradam, enquanto o palito descartável de madeira queima sem deixar gases tóxicos e/ou pode ser reciclado.
    • Eu tenho a sensação subjetiva de que o gosto do talher de plástico fica na comida.
    • Tenho a impressão de que o chow mein – nome genérico em chinês para pratos como o yakisoba, feitos de macarrão frito com carne legumes – é comido com palitinhos pela boa razão de que a forma mais saborosa de ingerí-lo não é enrolando o macarrão como se faz com o espaguete, mas em pedaços heterogêneos, aproximadamente do mesmo tamanho, contendo aleatoriamente macarrão, legumes e carne. A própria estrutura do macarrão sugere isso – são talharins curtinhos, prontos para pinçar.

Aliás, eu ainda não aprendi a técnica de enrolar o espaguete com garfo e colher, e aposto que um italiano tradicionalista, ao me ver comer talharim, não notaria o atabalhoamento (apenas por uma tecnicalidade, porque eu sei enrolar espaguete de modo ad hoc, sem a colher) e aprovaria o meu uso liberal do azeite como italiano da gema.

Esta corrosão.

O decaimento desta cidade tem mais a ver com Chicago do que Detroit - não uma aglomeração industrial do século XX em processo de dissolução, mas o resultado de uma derrota na competição pelo centro intelectual e político. O processo de seleção e sedimentação é recente o suficiente para que exista uma desconexão na passagem entre as gerações: as expectativas dos meus coetâneos se elevaram - em relação às condições da geração dos nossos pais - enquanto as possibilidades concretas da cidade se corroíam.

Nós não somos os órfãos de um contexto de primeiro mundo que nunca veio. São Paulo exibe mais evidentemente o choque - de um lado, a realidade de uma trajetória continental de gargalos e ciclos de progresso e retrocessos; de outro, o paradigma de desenvolvimento que corre nas veias de seus intelectuais e capitalistas. O Rio de Janeiro é uma cidade de herdeiros, e como tais nós desfrutamos de possibilidades de busca - por auto-descobrimento e realização predicada na quieta certeza de que as necessidades materiais básicas não chegariam nunca a ser um problema  com o qual lidar.

Evidentemente, isto não é um absoluto - afirmativas sobre uma geração devem ser moduladas por e através das distribuições dos parâmetros - renda, educação, especificidades cognitivas e neurológicas. Mais importantemente, as pervasivas marcas visuais do subdesenvolvimento garantiram que nunca ficássemos inteiramente cegos sobre a frágil espessura da teia de privilégio sobre a qual andamos. Na busca por auto-realização, nós sempre tivemos janelas de escape ostensivas - os anos de estudo em direção a profissões supostamente sólidas e remuneráveis. No entanto - mesmo que quase sempre inconscientemente - estas cláusulas de realidade sempre foram um loss leader em contraste com o que nós efetivamente acabaríamos fazendo - fotógrafos, poetas, intelectuais.

Uma depressão econômica relevante desfoca essas estratégias e perdoa sua miopia em face à avalanche maior que se aproxima. A outra rota de fuga é o breakdown mental, apoiado nessas novas taxonomias das sociedades inclusivas: bipolar, borderline,  ADHD, maladjusted. Nenhuma destas está realmente sob nosso controle ou foi planejada em primeiro lugar - nossa janela de escape era a inserção cuidadosa na realidade do subdesenvolvimento como pequenos administradores. E não se pense que estas rotas de fuga não são dilúvios devastadores, muito além de qualquer estratégia inconsciente, dissociação cognitiva - o observador separado do indivíduo sujeito às condições inevitáveis da realidade - ou plano míope e ambicioso.

O que está na ponta do precipício, no entanto, é a percepção futura das tentativas intelectuais da nossa geração, e mais ainda a percepção futura da possibilidade, mesmo que teórica, de manter a dissociação intelectual/administrador sem abandonar a cidade, condenando-a incrementalmente à corrosão. E o precipício da nossa geração vai na direção oposta aos precipícios dos seus indivíduos. Como se fôssemos uma colônia de bactérias em uma solução ágar-ágar preparada especialmente para o nosso florescimento, o sucesso do nosso experimento está predicada precisamente na sua interrupção por circunstâncias externas que obscureçam os dados. Nós nunca fomos uma missing generation, e no entanto pode ser necessário para a resiliência desta sociedade que a crônica das gerações nos registre como uma.

Dedução natural

Uma série de quatro vídeos curtos (elaborados por alguém do YouTube) para quem quer começar a entender sistemas de tipos e a relação entre filosofia e computação. Parece contra-intuitivo, mas eu conheço professores brasileiros de filosofia em universidades brasileiras que prestam consultoria em problemas computacionais sérios para multinacionais. Não se preocupem com o início que diz “capítulo 7″; é um ponto, er, natural para começar a explorar sistemas formais; caneta e papel são necessários, no entanto, para anotar e manter as regras em mente.

Minions robóticos

O meu feed do Twitter e o meu status do Facebook estão sendo constantemente atualizado. No entanto, sou (ao menos em tese), um homem terrivelmente ocupado. Qual é o truque?

  1. Crie uma conta no FriendFeed
  2. Nas suas configurações, adicione os diversos serviços online que você usa (Flickr, Tumblr, YouTube, Vimeo, del.icio.us, Connotea, GoodReads, etc. etc.). O FriendFeed é compatível com dezenas desses serviços, incluindo feeds RSS — o que permite incluir virtualmente qualquer serviço, blog ou site. O meu favorito é a captura do meu status no Google Talk, que estou constantemente alterando para refletir mudanças de humor, o clima intelectual do momento, etc. etc. Artigos compartilhados no Google Reader (e no Bloglines também, creio) também são absorvidos pelo grande funil do FriendFeed, o que acaba sendo terrivelmente útil (one click to rule them all, etc.)
  3. Ainda nas configurações do FriendFeed, ative o encaminhamento para a sua conta do Twitter. Os seus minions robóticos agora atualizam o seu Twitter para você.
  4. Se você tem um blog Wordpress auto-administrado (i.e. não hospedado no Wordpress.com), existe uma solução melhor que a inclusão do seu feed RSS na sua lista de serviços do FriendFeed: o adjunto Twitter Tools. Se você já usa o instalador fácil, quatro cliques bastarão para adjuntar o Twitter Tools ao seu blog.
  5. Entre outras coisas, o Twitter Tools tem a opção de avisar automaticamente ao seu Twitter quando um texto foi adicionado ao seu blog. Outras opções incluem um parangolé na sua sidebar com os seus updates recentes e a geração de digests (agregações) diárias ou semanais da sua atividade no Twitter como posts. Esta última opção permite que toda a sua atividade online agregada pelo FriendFeed acabe sendo registrada no seu blog.
  6. Finalmente, se você tem uma conta no Facebook, instale o aplicativo que usa o Twitter como seu status por default.

A configuração apropriada de minions robóticos permite manter o mundo constantemente informado dos seus interesses voláteis, como se você tivesse um canal particular de TV. Ademais, a geração de digests (bem como a opção de ver só os links em clientes Twitter como o Nambu) deixa vapor trails da morfogênese da sua consciência caótica.

Caso real: uma madrugada destas eu estava dormindo profundamente no ombro da minha namorada, que estava acordada com o seu laptop, quando o meu Twitter apitou. O digest semanal, pontual como um relógio, tinha sido gerado — e, como com qualquer outro post, o meu feed do Twitter foi avisado. Minions robóticos nunca dormem.

One plugin to rule them all

A primeira coisa que você deve fazer ao começar o seu blog novo em uma instalação Wordpress própria é instalar o Single Click Plugin Updater. Se você já tem o seu blog há tempos, sua pergunta será “como sobrevivi por tanto tempo?

Como você deve saber, instalar um tema novo ou um software adjunto requerem que você baixe um arquivo, deszipe em um diretório, abra um cliente FTP, perambule até o diretório correto e faça o upload. Será necessário fazer isto com o Single Click Plugin Updater — mas, como para quem faz iogurte em casa, será sua última vez.

O adjunto em questão permite instalar, do seu dashboard, qualquer plugin ou tema novo a partir da URL do arquivo .zip referente, que pode ser obtida com um clique com o botão direito (control-clique para a galera do mouse de um botão) no link de “Download”; um menu se abrirá, no qual algo como “copiar link” será uma opção. No dashboard do seu Wordpress existirão as opções Appearance/Install a theme e Plugins/Install a Plugin; abra a opção relevante, cole (ctrl-V) o endereço e viva feliz. (Ativar o plugin ou o tema serão necessários pelas vias normais, mas o diálogo de instalação bem-sucedida proverá um atalho).

A separação urbana em metástase

Eu acabo de ser agressivamente importunado por uma ameixa seca vagamente reminiscente de uma mulher que eu nunca vi na vida quando estava embarcando no ônibus do condomínio. Evidentemente, era a última coisa de que eu precisava depois do dia extraordinariamente estressante (o dia mais tenso em quase dois anos na mesma instituição), mas isso é menos interessante agora.

A fruta cristalizada em questão é uma condômina que foi encarregada de cobrar as carteiras de morador em uma assembléia da qual a maior parte dos moradores que realizam atividades produtivas fora das fronteiras do condomínio provavelmente não participou.

Condomínios são uma estrutura política curiosa, se descontextualizada. O fato gerador de um condomínio é semifeudal — um grupo de pessoas é ligado por uma propriedade de terra sobre a qual dividem o domínio, uma característica de sabor distintamente feudal no sistema de propriedade privada. Como este é um condomínio grande, com sete prédios e amplo terreno, o número de con-dôminos excede em pelo menos uma ordem de grandeza o número de Dunbar — o tamanho máximo de uma comunidade estável, estimado entre 150 e 290. Pergunta do Morfogênese: como uma comunidade de aproximadamente 5000-7000 pessoas se organiza para manter o con-domínio de uma propriedade privada?

Parece-me que sistemas políticos têm uma natureza fractal: o mesmo processo que organiza os sistemas políticos mais amplos (ao nível nacional, por exemplo), se replica em escala proporcional dentro das burocracias (mesmo da legislativa, onde se fala francamente de alto e baixo clero). Atenção é uma commodity escassa, e o poder flui, em artérias e capilares para os grupos com níveis de atenção política (que evidentemente deslocam outros focos de atenção) mais alta, através de complicados sistemas de lobbying e parcerias de longo prazo.

A estabilidade e viabilidade de um condomínio (este existe há décadas) depende criticamente de pressões externas — a tensão entre nós e eles da qual tenho falado. A comunidade chega a organizar transporte exclusivo para os centros onde nós estudamos e trabalhamos, de modo a que eu possa me sentir seguro com o meu computador em pleno trânsito do Rio de Janeiro.

O motorista de ônibus de condomínio experiente não só conhece os viajantes regulares como tem um bom sistema de inferência sobre a probabilidade de que um desconhecido faça parte do condomínio. Apesar de ser um deles, o motorista assimilou todos os estereótipos que nós e eles adotamos para nos diferenciarmos: todos nós sabemos olhar para a foto de uma pessoa e acertar com boa probabilidade se estamos vendo um de nós ou deles.

A razão para o crackdown periódico sobre a identificação condominial (eu perdi uma carteira com documentos muito mais importantes) é a superlotação dos horários matinais. Suspeita-se, com alguns exemplos conhecidos, que o transporte do condomínio esteja sendo infiltrado por moradores dos arredores. Encontrando-se na situação de produzir uma externalidade positiva para uma comunidade ligeiramente mais ampla (mas ainda composta de pessoas como nós, que de outra maneira teriam sido identificadas imediatamente), a assembléia do condomínio resolve controlar ativamente o uso (de outra maneira casual, pontuado por uma relação amistosa com os motoristas) do transporte. Para isso, procurou-se dentre os condôminos suficientemente desocupados para prestigiar uma assembléia marcada para as altas horas de uma quarta-feira, a ameixa mais seca — a pessoa que menos contribui para a sociedade fora do condomínio.

A questão do free rider é levantada em justificativas formais para o inconveniente de carregar identificações condominiais com fotos que dizem “ei, eu sou assaltável”, mas é significativo que nunca tenha se levantado a hipótese de associar-se aos condomínios residenciais dos arredores para uma cobertura de ônibus mais ampla, dividindo-se os custos — posto que não há na região senão famílias de classe média e educação universitária. A causa do nós contra eles se metastatiza quando o isolamento da sociedade em geral — onde o contato com eles é diário — se correlaciona com a tomada de decisões e execução de políticas: para a mais seca das ameixas secas, o morador do condomínio ao lado é um deles como a nobre trabalhadora que esvazia minha lata de lixo duas vezes por dia e provavelmente usa os trens da Central.

No limite, o espaço em comum se esvazia. O mesmo processo que ocorre entre condomínios vizinhos entre si acontece nos diversos escalões onde a conveniência, o hábito e o medo criam a necessidade de separar o dentro do fora. O shopping em Botafogo ilumina suas paredes para criar arredores habitáveis (e portanto um acesso seguro às suas dependências, enquanto a praça a trinta metros degenera em algo inabitável, simplesmente porque não é seguro.

Não se deve tirar lições de moral fáceis desta descrição de um processo dinâmico. Suas componentes são, na maior parte, tão legítimas quanto é legítimo e racional o meu medo de abrir o meu notebook em um ônibus urbano comum. A lição que eu tirei hoje do confronto com a ameixa seca é mais um esboço de um processo dinâmico entre muitos processos dinâmicos que não só definem a geometria política do espaço físico nas minhas proximidades como exemplificam um processo geral que determina a geografia política do espaço urbano que faz parte do meu cotidiano.

Ao menos, este é um caso no qual eu não estou do lado negro do filo maquínico — a não ser na medida em que meu trabalho determina indiretamente a renda do capital que permite que estas ameixas secas se isolem da sociedade, e as torna agressivas e assustadas em relação à comunidade dos arredores. A separação e desconfiança entre classes é natural, mesmo que indesejável; a separação e desconfiança dentro de uma classe mostra um processo dinâmico mais profundo que pode estar por trás deste canal de morfogênese urbana: a classe média é mais tolerante consigo mesma na medida em que convive — em geral em relações mediadas por hierarquias em instituições onde trabalham faxineiras e econometristas — com as outras. Esse parece ser o ponto crucial: con-vivência. E este é o ponto onde eu guardo o meu laissez-faire para me preocupar com o design de espaços de convivência pública.

Morfogênese

Sem quase-formalismos hoje.

A pergunta errada é “o que é isso”?

Uma pergunta um pouco melhor é “como isso ficou assim?”

Uma pergunta melhor ainda é “qual é o processo através do qual coisas que não eram assim assumem esta configuração estável?

Em geral a resposta vem da equação de Euler-Lagrange.

Preto e branco (ou, sobre as nuances das questões nuançadas)

Como gosta de dizer Alone, o último dos psiquiatras, vamos todos, em corinho: o que o autor do texto quer que você acredite que é verdade?

bw

O tema fixo do Alone (quando ele não está desenvolvendo sua Grande Teoria de depth psychology do narcisismo) é que autores de estudos médicos revelam ostensivamente “conflitos de interesse” de caráter financeiro — os cientistas estão recebendo alguma bolsa de apoio à pesquisa de uma indústria farmacêutica — para esconder fontes mais sutis de viés. Eu não vou resenhar (o que requereria desconstruir o seu  impenetrável sarcasmo) as aventuras do bom doutor no espinhoso terreno da ética na pesquisa científica.

O que me interessa aqui é extrapolar o seu tema-base (existe uma fonte conhecida de viés, e todas as outras são invisíveis) para uma pequena crítica da crítica das ideologias, mediante — como só podia ser — uma crítica dos critérios da crítica das ideologias. Consegui confundir? Ótimo.

Tome-se uma função de classificação FC: T2 -> [0,1] que toma como input uma teoria sobre os estados possíveis do mundo e retorna um número que diz o quanto a teoria T se parece com uma “teoria clássica” conhecida por todos os participantes da discussão (Stay with me, vai ficar claro daqui a pouco). Dá pra ser mais preciso sob pena de tornar o texto muito mais chato. Por um lado, há como se definir de maneira muito mais exata o que é uma teoria em termos da lógica modal “superjacente”. Por outro, existem definições matemáticas bem definidas de uma FC (a celebrada divergência de Kulback-Leibler, que serve até pra tirar moedinha de bueiro, por exemplo) se estivermos dispostos a definir uma teoria como um conjunto de estimativas probabilísticas; a discussão a seguir independe desse formalismo.

Definimos o contradomínio de FC como um intervalo fechado, o que quer dizer que dentre os valores possíveis de FC(.,.) estão 0 e 1. Mais ainda, em alguns casos pode ser que 0 e 1 sejam os únicos valores possíveis. O quanto uma teoria da história parece com o marxismo do Manifesto Comunista (MMC)? Diferentes meta-historiadores podem avaliar a história das teorias sobre a história (estimar uma regressão logística multinomial, diriam os probabilistas) e dizer que Braudel é mais parecido com MMC do que Polanyi ou vice-versa, mas para os fins de um argumento muitas vezes é mais simples associar uma afirmativa específica que um participante específico de uma discussão está fazendo como sendo ou não sendo parte de MMC. Se pessoa X diz que a história é determinada pela evolução dos modos de produção, a tendência geral é abreviar e dizer que pessoa X está afirmando MMC.

Os contra-argumentos, evidentemente, são tantos quanto são os sistemas diferentes de MMC que conseguem dar conta de forma convincente de uma teoria da história, se formos generosos o suficiente para não partir para puxar os cotonetes que sustentam MMC — uma das premissas que torna MMC válida. De fato, como MMC na verdade é uma família de teorias logicamente consistentes {MMC1, MMC2,…} que conseguem provar as afirmativas do Manifesto Comunista, é mais fácil puxar os cotonetes do laissez-faire neoclássico (LFNC) para ver  o mecanismo em funcionamento — retire a racionalidade otimizadora e o sistema cai por terra; a família mais ampla de teorias de laissez-faire {LF1, LF2, ..} tem exemplos (digamos, laissez-faire ricardiano (LFDR) ou laissez-faire austríaco (LFVM)) que permanecem sólidos sem o cotonete da racionalidade otimizadora.

Em todo caso, o argumento por identificação é mais direto e abreviado que o argumento por contraposição ou por desconstruçao lógica. Digamos, se no meio de uma discussão razoável sobre canais de endogeneidade na formação de paradigmas kuhnianos (mecanismos pelos quais a estrutura do discurso científico sobredetermina a estrutura das revoluções científicas) alguém faz uma afirmativa  generalizadora e grosseira, a falta de refinamento desta última pode ser sinalizada por identificação: “mas aí você está dizendo MMC3″. Isso é o suficiente para abandonar uma linha de discussão  em um grupo de pessoas que tendem a discutir questões metacognitivas em um paradigma no qual o objeto final (o discurso científico) não é sobredeterminado por uma superestrutura econômica da taxonomia contida no MMC.

Em outras palavras, um argumento (determinando uma sub-teoria T1) pode ser atacado porque sua função de classificação FC(T1,MMC) registrou um valor crítico, e pode para todos os fins ser considerada igual a 1 (ou seja, a falsidade  percebida em MMC leva a crer que T1 é falso. Isto também pode ser feito mais rigoroso tanto do ponto de vista modal como do bayesiano, mais uma vez à custa de um texto muito mais chato). Em palavras ainda mais simples e com fonte destacada, a pessoa que disse T1 está enxergando o mundo em preto e branco. E dentro do paradigma pós-moderno (Lyotard) de crítica das meta-narrativas, nenhuma afirmativa em preto e branco pode estar correta.

Arriscando ser repetitivo, eu vou refrasear o que acabo de dizer. T1 é pouco crível porque existe um Y no espaço das “teorias clássicas” para o qual FC(T1,Y) é muito alto, e pode ser considerado para todos os fins igual a 1. A identificação no xadrez de teorias recapitula o “conflito de interesses” na pesquisa médica: como a fonte de viés mais óbvia é a identificação com uma “teoria clássica” e simples, sua simples presença ofusca qualquer outro viés presente. Existe um problema de percepção e um problema de morfogênese aqui.

O problema de percepção está na diferença entre a estrutura lógica subjacente de T1 e seu análogo em Y. Por exemplo, afirmações pertencentes a teorias da família LFVM podem ser confundidas com o endosso das teorias do tipo LFNC, simplesmente porque FC(T1, LFx) é muito alta. (A linguagem informal está fazendo com que meta-níveis estejam misturados com meta-meta-níveis, mas introduzir mais formalismo tornaria o texto muito, muito mais chato). Neste preciso instante, teorias relevantes de supersimetria podem estar sendo desprezadas no campo da gravitação quântica porque sua tecnologia matemática subjacente é associada (por ser uma condição necessária, mas não identificadora) com a teoria das supercordas, tida em baixa estima pela boa razão de que não produz previsões testáveis.

O problema de morfogênese deriva do fato de que todo mundo quer que suas teorias/argumentos sejam críveis. Para tal, é preciso identificar o espaço Y das “teorias clássicas” e produzir alguma representação consistente com a lógica interna da sua teoria (T2) e valores de FC(T2,Y) próximos de 0.5 (ou seja, nem concordando nem discordando integralmente de Y). Isso costuma receber o nome elogioso de lidar com as áreas cinzentas. Como o perfil das teorias bem-sucedidas começa a subir, a associação com estas passa a ser indesejável. O efeito indesejável destes mecanismos meta-cognitivos é que teorias “moderadas” (por exemplo, que aceitam a evolução darwiniana e a teoria da circulação sangüínea de Harvey, mas não excluem a teoria dos doze pólos da acupuntura clássica chinesa) se sobressaem. 

Ok, curto e grosso, Twitter-sized? “Não pensar em preto e branco” é uma afirmação em preto e branco. Nada mais estereotípico que a classe média intelectualizada que evita os estereótipos. 

É freqüente admirar um ponto de vista pelo seu aspecto cinzento, com FC próximo de 0.5 para a grande maioria das teorias clássicas. Em Obamês, uma característica a se admirar é o bipartidarismo. Em Lulês, a virtude exaltada é a do pragmatismo. A pergunta que deveria estar sendo feita  (já que a estrutura lógica interna da maioria das teorias é opaca ou esparsa) é como uma configuração cinzenta específica se tornou estável, ou, invertendo a função, como a constelação de configurações cinzentas admissíveis determina as configurações estigmatizadas como sendo em preto-e-branco.

Às vezes é OK afirmar uma teoria aparentemente em preto-e-branco como “eu acredito na origem neurobiológica da ansiedade generalizada (ON-BAG, byotches)” e não precisar levar em conta as teorias de “causas profundas”, etc. Se você se sente mal com a sua vida, deixe seu email (que será bem escondido dos spammers) nos comentários e eu recomendarei um bom psiquiatra que vai resolver o seu problema com um ou dois remédios, sem meses de blablablá.  Às vezes não é OK; a teoria de precificação de derivativos baseada em processos de Wiener, consensual em Wall Street por muitos anos e que eu mesmo apoiei até coisa de duas semanas, estava simplesmente errada.  

Como equilibrar as coisas? Pergunte a um mestre zen. Eu só sei de cimento, econometria e coisinhas íntimas.

25 coisas politicamente incorretas que você não sabe sobre mim

  1. Eu não sou mulher. Um classificador de texto (aparentemente treinado em 110 mil blogs, metade de homens, metade de mulheres) que prevê corretamente que o meu blog em inglês é 76.1% male, afirma que o meu Twitter é 64.8% female. Por alguma razão, eu tenho a sensação de que boa parte da platéia em potencial vai achar este blog menos interessante porque eu não sou uma mulher de 26 anos, independente e descolada.
  2. Eu sou um homem de 26 anos, independente (e não leiam “solteiro”, plz.) e descolado. “Independência” significa ninguém me diz que música ouvir, que livros ler, qual é o veículo para a minha arte ou qual é o meu inferno particular neste planeta. “Descolado” significa que eu não consigo subir paredes. Eu uso t-shirts e tênis em um lugar onde se espera paletó e camisa. Hoje um sujeito no metrô elogiou a minha blusa.
  3. Eu colo dominós.  Eu faço pequenas esculturas com dominós e cola de plástico do tipo que deve ser lavada imediatamente com álcool se cair na mão. 
  4. Durante um tempo, tentavam me pegar a pecha de “indie”, e eu respondia, com uma gota e meia de afetação, que era “post”. Não ando mais com pessoas cujo vocabulário inclui “indie”.
  5. Na ordem, Kultivator, June of ‘44, Bark Psychosis, Comus e Boards of Canada. Röyksopp está fazendo bonito, e pode ser a melhor coisa que 2009 trouxe ao universo da música pop.
  6. Eu não gosto tanto assim de música pop. Até os 16 anos eu era uma espécie de  nazista musical, ouvia apenas música clássica e identificava Rachmaninoff com uma espécie de decadência comercial, em contraste ao microtonal Krzyztof Penderecki (eu tive que ir ao Google para confirmar a ortografia de “Krzysztof”). O meu primeiro disco de música pop foi “Superunknown” do Soundgarden.
  7. Eu pareço muito arrogante e sou muito arrogante. Acontece, no entanto, um mismatch em muitas ocasiões — eu pareço muito arrogante quando estou sendo pouco arrogante, ou vice-versa. 
  8. Bipolar II com prevalência de estados mistos. (É o que está na minha ficha. O DSM-IV diz que episódios mistos excluem bipolar II — em outras palavras, segundo os critérios ianques, Bipolar I). Sintomas idiopáticos de despersonalização/desrealização (a hipótese de epilepsia foi descartada por um EEG) e alguma coisa circadiana (o meu colega de trabalho conhece a minha crise existencial das 17 horas). TDAH com predominância de desatenção. (Stavigile/Provigil/modafinila me deixa um pouco hiperativo, fisicamente, mas dura muito mais que a Ritalina LA). 
  9. Descobri recentemente as Gertie balls. O supra-citado colega de trabalho comprou uma em um aeroporto e eu obcequei. Minha menina me levou a um lugar no Lgo. do Machado (ou no Catete, quem sabe a diferença?) que tinha várias cores! Tenho uma no trabalho, uma na mochila e duas em casa. Estou sempre quicando com as minhas Gerties.
  10. Às vezes eu me descrevo como “deleuziano/de-landiano”, mas eu só li a primeira metade do Mil Platôs. Nada do Capitalismo e Esquizofrenia ou da Lógica do Sentido. Em compensação, eu releio constantemente as obras completas do Manuel de Landa, que recolocam os temas do Deleuze em contextos relevantes à filosofia analítica. Deleuze é uma flor no lixo, no contexto da filosofia francesa pós-segunda guerra; De Landa fala em termos que podem ser contextualizados em relação a filósofos de verdadeParte da minha cabeça está tentando reconciliar o “Intensive science” do de Landa com o “Naming and necessity” do Kripke o tempo todo.
  11. Eu comecei a estudar física (bem, pulando coisas que são conseqüências triviais da matemática que eu já tenho) para pescar o que há de interessante na matemática deles em termos de modelar sistemas não-lineares. Lanczós é o meu pastor, e Gelfand minha lanterna. 
  12. Eu fui uma criança-prodígio. Não sei o que deu errado. Eu falava articuladamente antes do primeiro aniversário e lia/traduzia fluentemente entre dois idiomas antes do terceiro. Em algum lugar, alguma perturbação na força fez com que eu me perdesse na mediocridade.
  13. Eu tirei esta foto:
     
  14. Eu acho “All eyes on me” do Tupac uma obra-prima de paranóia, vista pelo Príncipe de Maquiavel. 
  15. “Halcyon and on and on” do Orbital é uma espécie de droga estimulante, especialmente em loop. Modafinil and on and on and on.
  16. Eu acho que a realização de eventos esportivos da escala de um Panamericano/Copa do Mundo/Olimpíada no Rio de Janeiro é, via de regra, uma péssima idéia, e só ocorre por uma autocatálise perversa entre empreiteiros e a tendência muscular, anti-intelectual do “povo”. Acentue a nota de desprezo em “povo”.
  17. Eu ando querendo um programa de levantar pesos (tem a aparelhagem toda no meu condomínio); quero braços mais fortes, simplesmente por uma questão de equlíbrio; mens sana in corpore etc.
  18. Eu sinto essa divisão entre “nós” e “eles” na medula, de uma forma que o intelecto não alcança. Não estou falando do intelecto versus músculo, estou falando de “classe média carioca, de educação superior” e “eles”, que pegam o trem na Central e esvaziam a minha lata de lixo do trabalho duas vezes ao dia. Eu sofro da minha parcela de síndrome de culpa da classe média, mas no fundo, não consigo extrair mais empatia do que tenho com as vítimas da guerra civil em Darfur.
  19. Eu não sou, filogeneticamente, herdeiro da “classe média carioca” profunda; sou filho de imigrantes, e fui absorvido, abraçado, educado e convertido. Eu sou um de “nós”, o suficiente para esse desconforto visceral com “eles”.  Eu vivo em uma cidade onde não posso sentar em um parque ou café e abrir meu Macbook sem uma notinha de medo; “eles” não são uma ameaça concreta individualmente, mas o choque constante da sobreposição geográfica de duas populações que secretamente se odeiam cria a sensação de uma ameaça invisível, paranóica.
  20. Sou freqüentemente acusado de racismo e sexismo por ser um pouco realista e reducionista demais em algumas avaliações da realidade. Acho que escapei à pecha de homofóbico por ter sempre tido homossexuais, homens e mulheres, no meu círculo de amigos. Eu não criei essas divisões — elas foram propostas a mim, e eu não sou bom em acomodar a dissonância cognitiva que os criadores de divisões exigem. O dinheiro que eu não consigo evadir ao coletor de impostos (em geral via tributos embutidos no preço de varejo das minhas compras) é utilizado para desmontar o projeto iniciado nos anos 1930 de uma vida acadêmica no Brasil na medida em que os padrões precisam ser continuamente reduzidos para acomodar estudantes cotistas despreparados, enquanto o ônus da prova é revertido para pensões matrimoniais — o único caso fora da lei islâmica em que existe prisão por dívidas!
  21. Eu sigo à risca as regra 10-12, com todo o seu conteúdo sexista. Eu explico provocaçõezinhas da teoria dos números (do tipo conjectura de Collatz) ao meu estagiário — o mesmo estagiário que erra constantemente nas planilhas que eu preciso dele. Resumindo um pouco as regras (porque um link seria traição): Don’t undermine your fellow young men. Mentor the young men that come after you. Society recognizes that you have the potential to be the most power force in society. It scares them.  As a young man, you’re on your own. Society divides and conquers. Unlike women who have advocates looking out for them (NOW, Women’s Study Departments, government, non-profit organizations, political advocacy groups) almost no one is looking out for you. YoAung men provide the genius and muscle by which our society thrives. They are afraid of you, both individually and collectively.  By in large, it was not old men or women that created the revolution we live. Realize that society steals your contributions, secures it with our intellectual property laws, and then takes credit and the rewards where none is due. Em todas as sociedades os suicídios são desproporcionalmente de homens, por margens de 600 a 900%.
  22. Agora que estabeleci minhas credenciais de “sexista” aos olhos de quem não veria o mesmo se eu estivesse falando de mulheres, devo ressaltarque  mesmo os mais extremistas não podem me acusar de misoginia: com duas  exceções, todo o meu círculo de amizades é composto de mulheres. Eu sempre tive mais facilidade social com mulheres, e em muitos pontos dramáticos da minha vida foi de valor crítico a forma como fui obrigado a aprender a entender expressar meus sentimentos por causa desse contato.
  23. Eu não sou um monógamo serial. (Eu tive a minha fase, durante um breakdown que durou de janeiro a junho de 2007, quando fui diagnosticado) Eu fiquei solteiro, sem nem ao menos diversão ocasional (eu não arriscaria as minhas amizades com mulheres por um amasso vácuo) por muito tempo e permaneceria assim indefinidamente se não tivesse encontrado por acaso the one. Eu não sou romântico; é apenas o que aconteceu. Uma das coisas que eu aprendi é que em matérias de amor você simplesmente sabe. Não há regras.
  24. Eu toco baixo, guitarra, teclado, um pouco de piano, um pouco de gaita. Em geral aprendo a arranhar um instrumento em poucos minutos. Muitas vezes consigo tirar de primeira uma parte instrumental de ouvido. Muito do que consigo fazer com as mãos com um instrumento, consigo fazer de costas, com o teclado atrás de mim ou a guitarra atrás do meu pescoço.
  25. Eu odeio usar meias. Se fosse mulher, usaria sandálias com os dedos livres sempre. Quando chego em casa arranco as minhas meias e jogo em qualquer canto. A sorte, que me acompanhou desde que eu era um nenê prodígio de dois anos lendo quadrinhos, garantiu que nunca uma meia suada chegou ao interior da geladeira.

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