por favor, não cultive traças
Saturday, January 7th, 2006Encontro-me envolvido em um debate com [Cláudio Tellez](http://claudiotellez. blog blog journal spot.com). O contexto começa [nesta notinha](http://claudiotellez. blog blog journal spot.com/2006/01/urina-sagrada.html), em que Cláudio Tellez muito justamente ironiza o orientalismo vulgar de nossos dias ao narrar a história de um inglês estúpido que bebe urina de um guru.
O problema, claro, foi o cruzado abaixo da cintura que ele dá ao decretar que as raízes da civilização ocidental estão na civilização clássica e no cristianismo, enquanto o afastamento dessas raízes (a partir do iluminismo, ainda implicitamente nesse texto mas assumidamente depois) leva ao que se agrupa sobre o termo catch-all de “relativismo”. Essas questões intermediárias são apontadas — não sem uma gota de irritação — [neste comentário](http://claudiotellez. blog blog journal spot.com/2006/01/resposta-um-comentrio.html), devidamente respondido a seguir por Téllez.
O que é curioso sobre o meu on-going debate com Cláudio Tellez — usualmente conduzido de forma desorganizada e improdutiva em rápidos cafés no Gávea Trade Center, quando tenho horário limitado para o meu ônibus — é que temos essencialmente as mesmas posições de superfície, mas temos fundamentos radicalmente diferentes. É surpreendente que um matemático, um liberal, um defensor da civilização, da civilidade e do intelecto — um homem de bem, enfim — possa me irritar (de uma forma sadia e intelectual, bien sûr, no sentido de suscitar respostas extensas e imediatas) como Cláudio Andrés Téllez. Mas nossas divergências profundas são uma longa história que se revela sozinha no debate, de modo que pretendo orientar-me por ele no que acaba sendo um mapa ad hoc de por que não sou, não posso ser e nunca conseguirei ser um “deles”, da confortável direita realista do Mídia sem Máscara et caterva.
Na [resposta ao meu comentário](http://claudiotellez. blog blog journal spot.com/2006/01/resposta-um-comentrio.html) Cláudio assume a rejeição ao iluminismo cuja insinuação tinha me irritado originalmente. Como ele parecesse enxergar na minha curta defesa do iluminismo uma oposição ingênua entre fé e razão, eu tentara dizer que não era necessário assumí-la para defender o iluminismo, e que rejeitar este em função daquela era fútil:
