
Há um discurso alarmista sobre o aquecimento global que tenta fazer de todo fenômeno climático mais forte uma evidência da catástrofe total que se aproxima. Mas qual vocês acham que foi a maior catástrofe natural da história americana, com recordes de temperatura históricos (até 2006) sendo batidos?

Isso Al Gore não conta para as criancinhas. Aliás, os historiadores keynesianos da grande depressão gostam de esquecer, convenientemente, as violentas tempestades de areia que devastaram a agricultura americana nos anos 30 e deixaram mais de 500 mil americanos sem teto (outros dois milhões emigraram) — tudo em nome de não deixar nenhuma ambigüidade sobre a received wisdom da recessão da década de 30 como produto de uma espiral (deflacionária) endógena de demanda. Sim, a deflação fez com que muitos fazendeiros não conseguissem saldar suas dívidas assumidas em termos nominais e perdessem suas propriedades para os bancos — mas milhares de pessoas tiveram suas fazendas enterradas, e isso nenhum manual de história econômica conta.

Quando Alan Greenspan assumiu o posto de chairman do conselho de diretores do Banco da Reserva Federal em 1987, os títulos da dívida americana tiveram a maior queda dos cinco anos anteriores. Onde um Ben Bernanke (seu recentemente escolhido sucessor) é um acadêmico _hardcore_ antes de ser um economista aplicado e assessor econômico do partido republicano, Greenspan completou seu M.A. e foi seguir carreira, tendo recebido um título honorário de PhD sem completar uma dissertação já depois de ter sido conselheiro econômico chefe de Gerald Ford.
Doze anos depois, saía o livro de Bob “Watergate” Woodward que celebrava a figura que descrevia como arquiteto-chefe do grande boom americano dos anos 90 como Maestro. O apelido tinha começado como comentário irônico dos colegas de banda da sua juventude de saxofonista de jazz formado pela Juillard, dada a tendência do jovem Alan a se focar em arranjos elaborados e pouca habilidade de improviso no seu instrumento, mas é transformada por Woodward em uma metáfora unificadora para o papel da autoridade monetária.