Bryan Caplan ataca novamente

Monday, May 28th, 2007

Bryan Caplan, que irritou a ala terceiro-mundista há alguns anos ao sugerir no seu The Idea Trap que o havia um canal de crescimento endógeno no fato de que povos subdesenvolvidos votam por políticas econômicas piores, entra de sola no tema da democracia. Apesar do título dork, seu novo livro The Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies parece firmar a reputação do autor de enfant terrible entre os enfant terribles. Vede o que diz a resenha do NYT:

Caplan argues that “voters are worse than ignorant; they are, in a word, irrational — and vote accordingly.” Caplan’s complaint is not that special-interest groups might subvert the will of the people, or that government might ignore the will of the people. He objects to the will of the people itself.

Claro, todo economista com uma formação universitária sabe que o will of the people de fato não existe como tal pelo teorema da impossibilidade de Arrow. Mas o problema da democracia é - agora dolorosamente evidentes nos EUA de um modo difícil de encerrar pela análise do The Idea Trap. Isto se deve, claro, em boa medida a complexas especificidades do sistema americano, que passam por uma ponderação desproprocional à população no sistema distrital e por uma divisão cultural cada vez mais profunda, parte de um desenvolvimento dual que explode periodicamente — vide a guerra de secessão e o movimento dos direitos civis nos anos 60. Mas as armas de Caplan estão voltadas para a própria democracia:

The disaster in Iraq has also fed a contradiction in American thinking about democracy. On the one hand, Americans continue to share the triumphalist, post-Soviet conviction that no other system of government has any real legitimacy. On the other hand, there is a deepening despair about whether and how the United States should spread democracy, prompted not just by Iraq but also by the endurance of authoritarianism in booming China and Vietnam and the disheartening Palestinian and Lebanese experiments in democratization.

entendendo o britpop

Wednesday, October 26th, 2005

Há quem atribua a expressão _Cool Britannia_ à Newsweek, quando esta declarou Londres a capital mais _cool_ do mundo, mas parece que aparece num [disco](http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B00005AFL2/qid=1130346519/sr=8-5/ref=sr_8_xs_ap_i5_xgl15/103-0952132-3057400?v=glance&s=music&n=507846http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B00005AFL2/qid=1130346519/sr=8-5/ref=sr_8_xs_ap_i5_xgl15/103-0952132-3057400?v=glance&s=music&n=507846)
dos anos 60, de uma banda psicodélica esquisita chamada _Bonzo Dog Band_ cujos maiores fãs eram os Beatles. Mais do que uma curiosidade histórica inútil, este fato pouco percebido ilustra a origem da estética de onde brotam Oasis, Supergrass, Blur e assim por diante em uma característica mais “paramétrica” da dinâmica social da cultura pop no Reino Unido.

Ora, é consenso trivial que a Inglaterra, talvez acima ou talvez imediatamente depois dos Estados Unidos, é um dos principais centros emanadores de cultura pop. É bem conhecida, também, a curiosa gênese deste processo, com um movimento caracteristicamente inglês de importar o rock’n roll e o blues dos negros americanos (e quando os Stones ouvem discos americanos, ouvem Muddy Waters e Chuck Berry, não Buddy Holly e Elvis Presley), para em seguida explodir e invadir os Estados Unidos na _british invasion_ encabeçada pelos Beatles.

Existe um ensaio a ser feito aqui sobre como o rock inglês é a matriz do rock branco americano subseqüente, sendo abandonado o modelo Elvis/Holly — e pouquíssimo utilizado o modelo Chuck Berry/Jimi Hendrix — mas a dinâmica social da cultura pop americana é conhecida. Em que pesem pontos fora da curva (e Hendrix brilha, sobrando nas décadas subseqüentes um Funkadelic, um Sly and the Family Stone, um Living Colour e um Lenny Kravitz), a música negra se recombina sucessivas vezes ao _gospel_, desenvolvendo gradualmente o som que reconhecemos hoje, e que também teve muito sucesso internacional (sendo às vezes até imitado pelos ingleses ;-)).

Isto é reflexo de uma dinâmica cultura e de uma dinâmica social mais ampla; faz sentido, sem racismo, falar de cultura negra e branca nos EUA porque ambas se mantém separadas pelas suas próprias dinâmicas internas, sem supressão ou imposição de uma sore a outra. Mais ainda, os negros americanos — em termos menos carregados, os consumidores de cultura _black_ — ascenderam em padrão de vida e se tornaram um mercado consumidor significativo.

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