Respondendo a perguntas
Saturday, February 9th, 2008Há algum tempo que a visitação ao meu blog journal tem sido movida em boa medida por buscas muito dirigidas por informação no Google, o que não chega a ser curioso (dado que eu uso muitas frases estatisticamente improváveis) mas é desafortunado, porque eu não dou realmente nenhuma informação útil. Mas como alguns temas têm se repetido consistentemente nos termos de busca (segundo as estatísticas do Wordpress) ao longo dos últimos meses, decidi tirar uma meia hora para um pingue-pongue com toda essa gente anônima que não pode nem deixar comentários.
“torval efeitos colaterais” Torval é um equivalente genérico da versão de liberação prolongada do Depakote. Eu já tomei Torval 1500, e como estava partindo as minhas pílulas recebi uma receita para o Depakote brand-name, que sairia mais barato porque a pílula partida perde o efeito de liberação prolongada. E, enfim, muito mais gente tomou o Depakote e sabe como isso pode dar efeitos colaterais horríveis. Mas olha, eu tomei doses bem baixas — primeiro 1500, e depois 750, para o meu peso que na época era de uns 70 quilos — complementando o regime básico de lamotrigina (Lamitor, Neural, Lamictal, etc.). Eu não tive o famoso Efeito Velhice de perder cabelo, ficar cansado com os ossos doendo, etc. etc. Pra mim o Torval foi um ansiolítico extremamente intenso, ao ponto que eu passei um mês inteiro fora do planeta, feito um monge budista, em despersonalização completa (o que provavelmene se deve às minhas questões neurológicas esquisitinhas também).
Mas, respondendo à questão dos efeitos colaterais negativos, uma coisa muito marcante da época do Torval é a perda de memória.Eu não lembro de quase nada daquele mês, e com freqüência eu não lembrava de conversas tidas horas antes, ou de tarefas cumpridas na semana anterior. Recentemente eu tive que conferir alguns cálculos feitos aquela época para o trabalho, e fui ver os logs do Stata: eu refiz os mesmos cálculos várias vezes — cheguei ao número errado várias vezes, lembrava de que havia algo de errado com aquele número embora não conseguisse recordar o que, refazia o cálculo com outra metodologia de ponderação e encontrava o número que eu queria, o número que existia como uma imagem fuzzy na minha cabeça — sem nem mesmo pensar que tudo existia no log.
