Um conto de duplicidade

Tuesday, June 5th, 2007

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Sim, eu tive um caso com as duas Fernandas. Dois casos, na verdade — o que ficou confuso porque ambas Fernandas eram uma só, e evitar que soubessem uma da outra não era apenas francamente imoral como um tanto trabalhoso.

Quando conheci as duas, Fernanda ficava ligeiramente vesga quando nervosa e Fernanda ficava igualmente vesga quando relaxada, o que é desorientador quando se está na fase de conhecer os sentimentos e reações de uma mulher. Por sorte, com o tempo, as meninas foram corrigindo o problema com a ajuda de um novo videogame cujo movimento era controlado pelo movimento da retina. Como o espaço onde elas deviam pôr a cabeça era baixo demais, elas se curvavam um pouco, e eu gostava de ficar olhando para essa posição vagamente exibicionista em seus jeans sempre apertados demais (embora eu francamente preferisse isto na Fernanda, porque a Fernanda nunca perdeu a mania de pôr o celular no bolso de trás, o que estragava um pouco a visão).

As sessões contínuas no arcade do shopping custaram-me uma fortuna, mas era francamente mais excitante quando ficaram parecidas no seu (agora quase imperceptível) estrabismo — eu podia estar com uma e imaginar que estava com as duas. O que também me fez gastar muito foi consertar continuamente os furos no colchão e na roupa de cama ocasionados pelos lindos narizes pontiagudos, fininhos, narizes que já me cortaram a mão num carinho desajeitado. Esse era outro problema — eu sempre tinha o dobro de feridas, e tinha que inventar continuamente desculpas de carpintaria para explicar o meu tórax cheio de cortes.