Para uma jovem vestibulanda

Thursday, May 10th, 2007

Uma pessoa com quem tenho conversado recentemente declarou que passaria a usar o meu blog blog journal ue diário como referência para o vestibular. Eu retruquei imediatamente que isso não era uma boa idéia. O ensino de economia no vestibular é monopolizado pelos professores de geografia, e portanto pelo ideário de um pequeno grupo de geógrafos brasileiros muito influentes das décadas de 70 e 80. Assim sendo, retrata-se para o aluno do ensino médio um mundo bizarro, organizado dentro de relações hegemônicas que beiram o sadomasoquismo, no qual vale a dinâmica endógena eternizada no refrão “o de cima sobe e o de baixo desce”.

Eu reitero: não estude para o vestibular por este bonito blog blog journal uinho, man. As opiniões aqui apresentadas são controversas em tantos níveis que chega a ser cômico. Primeiro, com a sabedoria moderada dos jornais (pela boa razão de que não preciso escrever quando os jornais estão dizendo o que eu julgo ser correto). Segundo, com a heterodoxia “desenvolvimentista” que certos esquerdistas mais maduros professam, porque eu advogo o uso de instintos basicamente ortodoxos. Terceiro, com a própria ortodoxia, porque eu coloco as críticas teóricas da heterodoxia em primeiro plano, pra ver que sopa isso dá. Por último, com a síntese pré-econômica dos seus professores de geografia, simplesmente porque eu me apóio em alguma teoria econômica (embora seja uma salada de ortodoxia, heterodoxia e olfato) e eles acham que tudo o que importa é a luta de He-Man contra o Esqueleto.

<

p>Mas porque é ruim uma pessoa crescer achando que a economia mundial se propaga a partir de um “centro dinâmico” e outras baboseiras do tipo, vale a pena dar uma olhada rápida no que aconteceu no mundo nos últimos 50 anos. Eu quero descrever dois fatos estilizados relativamente ateóricos;

sobre a terceira esposa de Henrique Sexto

Thursday, June 30th, 2005

Sim, as obras puramente “organísticas” de Rick Wakeman são fake, são kitsch, são patéticas no seu pseudo-bachiano despido de substância, no seu envergar orgulhoso de uma imagem que não corresponde ã substância. Éo eterno destino do roque de feições clássicas. Não que o erudito impregnado de roque (como a parte menos Broadway de _Jesus Christ Superstar_) ou a mitologia roqueira feita erudito (como em Glenn Branca) não sejam possíveis, mas a absorção de uma capa estética filistino-barroca por roqueiros grandiosos como Rick Wakeman ou Yngwie Malmsteen.

Mas o que o grand-rock faz é destilar a _tensão_ presente na grandiosa música dos mestres e apresentá-la crua, pura, sem a compaixão, a profundidade e a ambição à universalidade destes. As tocatas de Bach são uma consolidação da humanidade total, onde as tocatas de Rick Wakeman são obras de tensão absoluta pela tensão absoluta, esquartejando os ouvintes puxando-lhes as extremidades do corpo.

Wakeman, Malmsteen, Johansson extraem do barroco a tensão pura como os melhores fotógrafos e _fashionistas_ do rock extraem a tensão pura do rock da música, e o fazem _pose_. Éa abstração aristotélica — abstrair é arrancar.

Éisso que faz com que eu, que entendo, sim, a música erudita, que sei cantar as vozes do “Stabat Mater” de Giovanni Pergolesi e sei reconhecer as fugas da _Kunst_ de Bach pelo número, aprecie tanto o grand-rock pretensioso de “Catherine Parr” do Rick Wakeman, “Black Star” do Yngwie Malmsteen ou “Eternity” do Stratovarius.

Um dos temas centrais do aprendizado musical da minha vida é que o fato cultural da música é _além_ do seu valor intrínseco. Uma audição benevolente de “Catherine Parr” do Rick Wakeman revelará isso aos leitores com espírito de experimentação.

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