a falácia de Tariq Ali
Sunday, August 28th, 2005Daniel Yankelovich é o autor de uma descrição clássica do espírito de supremacismo técnico do final dos anos 50 e início dos 60, no que chamava de “falácia de McNamara”:
> O primeiro passo consiste em medir tudo quanto puder ser medido com facilidade. Até aí, tudo bem. O segundo passo consistem em desprezar tudo aquilo que não puder ser medido ou lhe atribuir um valor quantitativo arbitrário. Isto é artificial e tendencioso. O terceiro é presumir que aquilo que não pode ser medido com facilidade não tem muita importância. Isto é cegueira. O quarto passo é dizer que aquilo que não pode ser medido com facilidade na verdade não existe. Isto é suicídio.
Robert McNamara, o prodígio corporativo, administrador militar e brilhante homem de números não estava, obviamente diretamente associado com estas palavras, mas a escolha é icônica, e é indubitável que McNamara tenha sido enganado por sua própria falácia várias vezes no transcurso de sua vida como administrador de grandes eventos.
A estrutura de Yankelovich pode ser reaproveitada para trazer à tona saltos discursivos que se tornam típicos de uma era pela forma como discurso e senso comum fluem entre si e se fundem. Sem mais prolegômenos, apresento-vos a falácia de Tariq Ali.
**Primeiro, postula-se uma dinâmica social teórica**. Um certo senso comum benevolente postula um equilíbrio do dilema do prisioneiro no atual cenário de conflitos entre o mundo árabe e o ocidente: no equilíbrio, ambos lados atacam, numa espiral que pode ser interrompida visto tratar-se de um equilíbrio de Nash sub-ótimo. A visão mais puramente tariq-ali das coisas é ainda mais radical no sentido de propor uma causação mais unidirecional nesse processo — o ocidente ferindo o mundo árabe com um determinado paradigma econômico-cultural, desencadeando uma reação deles que desencadeia uma reação nossa _et cetera_. **Até aí, tudo bem**.