É tão deprimente quando vou buscar uma referência no Google Scholar pelo nome do autor e ano, e aparecem papers em áreas tão mais legais
À parte todas as abordagens ultraheterodoxas (pós-keynesianas, neoricardianas, etc. etc.), existe um razoável contingente de brasileiros afetados por esse problema dos juros escorchantes que nos assola que se pergunta por que, em pleno início de deflação, não parece haver nenhuma sinalização de uma queda menos gradualista e mais expressiva da meta para a taxa SELIC — quando a inflação acumulada de janeiro até junho é de 1,5% e a meta corresponde a três vezes esse valor.
O fluxo de queixumes só não é maior porque os jornalistas não conhecem de forma muito clara como funciona o sistema de política monetária de países desenvolvidos como os Estados Unidos; se fossem ler um artigo como “Discretion versus Policy Rules in Practice” (de John B. Taylor, 1993), que propõe a famosa Regra de Taylor que o Comitê da Reserva Federal parece seguir nos Estados Unidos, fariam algumas continhas rápidas e começaria uma campanha de imprensa insuportável contra a condução atual da política monetária.
No entanto, não é possível afrouxar mais a política monetária. A razão para isso é uma lição sobre como um pouco de conhecimento pode ser perigoso.

Underground, _indie rock_, udigrude mesmo é caminhar pela Barra da Tijuca. Projetado para carros, o bairro exala a fétida evidência do capitalismo da Madison Avenue, do capitalismo dos pessimistas — não o sistema do empreendedor, da Liberdade maiúscula, promotora de um progresso que é humano até as últimas conseqüências, mas o sistema do consumidor abobalhado e desumanizado, homem sem alma que há muito ultrapassou a surrada forma de trocar o ser pelo ter para trocar o ter pelo ostentar.
Não é que o capitalismo deixe de ser _eficiente_, é que deixa de ser _elegante_. Não é que se torne _condenável_, é que **me irrita**.
Há no centro do Rio uma estreita faixa invisível entre a Escola de Música, a Sala Cecília Meirelles e o Municipal na qual transita, sem ser notado, o povo da música clássica. A faixa está contida no centrão mesmo da cidade, cheio de comércio, urina, poluição e mendigos, e contra a onipresença do mainstream do mainstream do mainstream da vida carioca, aquelas vidas humanas acontecem, mastigando partituras e Brahms em meio aos vendedores de pipoca e guaraná em copinho.