Expectativas racionais para os jornalistas do Roda Viva

Sunday, July 9th, 2006

À parte todas as abordagens ultraheterodoxas (pós-keynesianas, neoricardianas, etc. etc.), existe um razoável contingente de brasileiros afetados por esse problema dos juros escorchantes que nos assola que se pergunta por que, em pleno início de deflação, não parece haver nenhuma sinalização de uma queda menos gradualista e mais expressiva da meta para a taxa SELIC — quando a inflação acumulada de janeiro até junho é de 1,5% e a meta corresponde a três vezes esse valor.

O fluxo de queixumes só não é maior porque os jornalistas não conhecem de forma muito clara como funciona o sistema de política monetária de países desenvolvidos como os Estados Unidos; se fossem ler um artigo como “Discretion versus Policy Rules in Practice” (de John B. Taylor, 1993), que propõe a famosa Regra de Taylor que o Comitê da Reserva Federal parece seguir nos Estados Unidos, fariam algumas continhas rápidas e começaria uma campanha de imprensa insuportável contra a condução atual da política monetária.

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p>No entanto, não é possível afrouxar mais a política monetária. A razão para isso é uma lição sobre como um pouco de conhecimento pode ser perigoso.

A era Greenspan

Monday, November 7th, 2005

Quando Alan Greenspan assumiu o posto de chairman do conselho de diretores do Banco da Reserva Federal em 1987, os títulos da dívida americana tiveram a maior queda dos cinco anos anteriores. Onde um Ben Bernanke (seu recentemente escolhido sucessor) é um acadêmico hardcore antes de ser um economista aplicado e assessor econômico do partido republicano, Greenspan completou seu M.A. e foi seguir carreira, tendo recebido um título honorário de PhD sem completar uma dissertação já depois de ter sido conselheiro econômico chefe de Gerald Ford.

Doze anos depois, saía o livro de Bob “Watergate” Woodward que celebrava a figura que descrevia como arquiteto-chefe do grande boom americano dos anos 90 como Maestro. O apelido tinha começado como comentário irônico dos colegas de banda da sua juventude de saxofonista de jazz formado pela Juillard, dada a tendência do jovem Alan a se focar em arranjos elaborados e pouca habilidade de improviso no seu instrumento, mas é transformada por Woodward em uma metáfora unificadora para o papel da autoridade monetária.

É uma imagem poderosa e útil. A idéia de máquina a ser ajustada da era de ouro do keynesianismo e da política econômica ativa cai em desuso nos meios pensantes em geral, como todos bem sabem, na década de 70, entre a desorganização monetária internacional com o colapso do lastro do dólar, os choques de oferta de energia e a persistente estagflação, dilema para o mecanicismo de aquecimento-desaquecimento da economia que orientava a governança econômica na era de ouro do keynesianismo. Mais do que isso, o modelo da orquestra econômica desagrega as engrenagens maciças do modelo keynesiano (Consumo, Investimento) e permite ouvir uma desafinação delicada da flauta transversa no mercado imobiliário ou de ações de uma forma sistemática — outra característica definidora da visão Greenspan.

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