Microfascismos

Thursday, January 11th, 2007

eu, honestamente, fico com a original. sou o único?

Um blog blog journal ue aparentemente galego fez-me saber deste calendário composto de fotos de mulheres normais agressivamente fotochopadas até parecerem modelos. A coisa toda tem sobretons de protesto: escolhem uma menina muito bonita, mas explicitamente fora dos moldes da indústria da foto-de-lingerie, e dando-lhe um corpo de modelo, estragam-lhe toda a graça. O comentário implícito é óbvio demais para valer a pena discutir em extensão; postula-se uma certa imposição top-down destes padrões corporais, levando à neurose generalizada. No fundo, não deixo de discordar. Curta pesquisa impromptu com algumas mulheres das minhas relações mostram que a neurose existe, e algumas expressam até vontade de se submeter ao tratamento fotochopante. O meu problema com esta tese é que o declive escorregadio para o regulacionismo generalizado é curto. A mídia de massa cria expectativas infelizes e insalubres sobre o papel da mulher e seu corpo em crianças em idade sensível, ergo regulemos na TV os padrões da Boa Mulher Brasileira?

O que as pessoas parecem ter dificuldade em admitir aqui é que esse é um problema cultural amplo, que tem a ver com o vazio intelectual, moral, ético, filosófico, enfim, no qual flutuamos. Tem a ver não só com as neuroses femininas quanto a seus corpos, mas quanto às expectativas masculinas quanto ao mesmo. Tem a ver com uma cultura exterior, uma cultura da extroversão, que valoriza o esporte mais do que o debate, o performático mais do que o íntimo, o voyeurismo mais do que a descoberta. Tem a ver, em suma, não só com o excesso de estímulos calipígios da mídia, mas principalmente com o estômago vazio em que estas mensagens caem: mentes paralisadas pelo medo de não sermos normais, nos rendemos a todos estes pequenos microfascismos que nos dizem que mais vale competir que produzir, mais vale não ser estranhado mesmo que isto nos tire a habilidade de estranhar, e que acima de tudo mais vale corresponder às mais irreais expectativas que produzimos de nós mesmos, mesmo que isto apague o que é essencial a nós e nos torne arquétipos ambulantes, com barriguinhas saradas de plástico. E quanto a isso, culpar a TV não adianta; o que vale é mudar a vida que se vive. Agora.

Mensagem de Natal

Monday, December 25th, 2006

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p>Eu sou um progressista, o que quer dizer que me subscrevo à tese basica dos progressistas mais revolucionários de que há algo de errado no mundo que deve ser melhorado. Não me considero, como é evidente pra quem me conhece melhor, parte desses revolucionários. Há uma longa história a ser contada aqui, mas o resumo da ópera é que não identificamos necessariamente os mesmos problemas no mundo, e nossos padrões de solução são diferentes.

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