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Explicando o Twitter

Sumário executivo: o Twitter, como a vida, é o que você faz dele.

Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer, tongue firmly in cheek que comecei com o Twitter semanas antes dessa invasão brasileira que começou nos últimos quatro dias. A minha motivação inicial tem a ver com (a) o estranho senso literário que o formato blog journal sempre teve pra mim — o que me faz ficar horas trabalhando em ensaios gigantes sobre questões profundas e até desconstruções econométricas de comentários jornalísticos e (b) com a quantidade de idéias intrusivas que brotam na minha cabeça — idéias que levariam dias para virar posts e que eu acabo comunicando aos seres mais próximos, nem sempre interessados na minha próxima reflexão sobre merging bayesiano de ontologias. Assim sendo, quando comecei a trabalhar o dia inteiro em frente ao computador — diminuindo muito o tempo para o blog journal e para MSN, eu comecei a usar o Twitter como o meu brain dump. As atualizações aparecem ali à direita.

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Keynes em três parágrafos

Logo no início do capítulo 16 da General Theory – um capítulo pouco comentado, contendo algumas observações desordenadas sobre a teoria do capital, João Keynes comenta, sobre a idéia de substituição intertemporal:

“The trouble arises, therefore, because the act of saving implies, not a substitution for present consumption of some specific additional consumption which requires for its preparation just as much immediate economic activity as would have been required by present consumption equal in value to the sum saved, but a desire for “wealth” as such, that is for a potentiality of consuming an unspecified article at an unspecified time.”

O interessante é que isto vem algum tempo antes da solução intertemporal do equilíbrio geral por Arrow-Debreu, ainda celebrada como finalmente establecendo uma economia dinâmica do equilíbrio geral em bases sólidas. O chato é que Keynes tem razão neste trecho, principalmente porque os preços relativos importam, e no ato de poupar faz-se não só uma decisão quanto a uma cesta derivada dos preços relativos do consumo presente e futuro (dada por uma taxa de desconto intertemporal), mas também contra os preços relativos entre os bens disponíveis agora. Eu não compro um mp3 player agora porque o preço relativo dos aparelhos contra as pilhas que o meu discman bebe como água não está valendo a pena. Daí surge a poupança.

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